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terça-feira, março 08, 2011

July, John....

Escorada na porta, pego-me, te observando em silêncio...Você, espiando a rua lá embaixo pelos vãos da persiana, enquanto a luz da mesma, contorna seus traços. Suas costas largas e seu cabelo grande acentuando-as. Não sei o que pensar, só consigo ficar aqui, admirando-te em silêncio, enquanto não notas a minha presença...Na verdade, enquanto não me pede para chegar mais perto, pois sei, que a minha presença, tu notarias a quilômetros.


De repente, sem virar-se, questiona:


-Porque você gosta tanto de ficar me olhando, assim de longe?


-Não sei...Apenas gosto, me sinto bem


-Chegue mais perto.


Andei alguns passos atravessando a sala escura, até a janela, onde ele estava.Tomou-me em seus braços, me envolvendo com carinho e eu me dispus a espiar as pessoas lá embaixo também. Disse-me:


-Tá vendo aquelas pessoas, a andar de um lado pro outro na chuva?


-Sim


-O que achas que elas estão fazendo?


-Voltando para casa... (pois já eram quase cinco da tarde)


-Porque? (perguntei)


-Algumas estão voltando pra casa sim, algumas estão saindo de casa, e algumas gostariam de não ter que voltar para casa...As que estão voltando pra casa, provavelmente irão encontrar a esposa, os filhos, e seu cachorro. As que estão saindo de casa, estão indo pro trabalho ou indo encontrar com os amigos...E as outras...Hm...Esqueça elas...


-Prossiga, John, você sabe que eu odeio rodeios...


-Okay, as que não gostariam de voltar pra casa...Essas são um caso difícil de se entender...Literalmente, são os mal-compreendidos, os reprimidos, são os que adorariam voltar no tempo e fazer tudo diferente...


-John, porque está me dando todas essas explicações retóricas sobre pessoas que eu não conheço


-Porque na verdade você os conhece...


-Não, não os conheço...(insisti)


-Conhece, porque eu sou um pouco de todas essas pessoas...


-Certo, discorra...


-Eu já fui o homem voltando pra casa, mas não tinha esposa nem filhos, tinha apenas um cão a minha espera, que sempre dormia aos meus pés no sofá, enquanto eu assistia um filme qualquer, esperando a noite passar. Já fui o cara saindo de casa para encontrar com os amigos, mas descobri que nem todas as pessoas que a gente conhece, podemos chamar assim, alguns são apenas colegas. E já fui o mal-compreendido. (Calou-se instantâneamente nesse momento)


-Se você já foi o incompreendido, você gostaria de voltar no tempo e fazer algo diferente?


-Sim, gostaria.


(Nesse momento, ela gelou, ficou com medo, mas mesmo assim, perguntou)
-O que você faria diferente?


(Ele continuou calado, mas agora, com um sorriso nos lábios, como quem fazia suspense para responder e interrogou:)
-Você realmente quer saber?


(Morrendo de medo, porém confortada pelo sorriso contido dele, respondeu:)
-Sim.


-Se eu pudesse realmente voltar no tempo, teria arrumado uma maneira de ter te conhecido antes e não ter precisado ser essas três pessoas das quais eu dei exemplo...Eu seria apenas o homem feliz e satisfeito, por chegar em casa e ter uma esposa maravilhosa, filhos e meu cachorro. Eu te amo July.


-Eu também te amo muito John.


E logo depois, foram tratar de encomendar os filhos que estavam faltando para completar a cena.


(Tamires Alci)


•Ouvindo agora: Need You Now - Lady Antebellum

3 comentários:

Priscila Silva disse...

Muito bom o texto,

Trabalhe em Casa: http://fcahome.blogspot.com/

Francorebel disse...

O que achei legal neste post é que você se aventura pela maravilhosa arte dos diálogos teatrais, o que acho que nunca li por aqui, se não me engano.

Curti, embora o texto seja um pouco longo. Mas tá ok.

As descrições das ações das personagens estão ótimas!

Bj!

F.

Daiah Scarlet disse...

você escreve bem e gostei do texto, só achei um pouco longo tbm..

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