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segunda-feira, abril 25, 2011

JOHNNY(6) - FINAL

Carta 6 de 6

Fui para casa e para a minha surpresa, assim que cheguei, as coisas haviam degringolado totalmente. Meu pai apontava uma arma para minha mãe e dizia:
-Sua vagabunda, é por sua causa que essa merda está onde está, nós nunca fomos uma família e você vai se arrepender do que fez...

Minha mãe não teve chances de dizer muita coisa. Ele atirou na cabeça dela, enquanto eu assistia à todo aquele espetáculo bizarro de camarote. Não sei o que se passou por mim aquele momento, mas ela era minha mãe e eu tinha que fazer alguma coisa.

Entrei em casa, discuti com o meu pai e disse que ele não podia ter feito aquilo. Ele me respondeu cinicamente que iria ser melhor pra nós dois e nós poderíamos finalmente ser “pai e filho”. Ele disse também que não se importava com a “cachorra velha”. Essas foram suas últimas palavras.
Entrei em luta corporal com ele, e apesar de ainda estar bem fraco, de alguma maneira, consegui tomar a arma da mão dele. Atirei, sem pensar duas vezes.

Dei dois tiros: Um no coração e um na cabeça e chutei seu corpo por várias vezes depois.

O que eu fiz não foi certo e é por isso que estou escrevendo essas cartas pra alguém. Há quase uma hora os corpos dos meus pais estão estendidos no chão. Um deles é culpa minha o outro não. Mas qualquer um irá deduzir que eu os matei. Não, eu só matei meu pai.

Não quero que pensem que eu fui um psicopata ou coisa assim. Eu só precisava de um pouco de atenção e vou deixar um recado à todos vocês:

“À todos vocês que são pais, nunca briguem na frente de seus filhos, não importa se tem um ano ou dez. Crianças também percebem quando algo está errado. Se vocês realmente querem brigar, briguem longe e se acharem que não podem continuar, se separem. Não vale a pena ostentar um casamento falso pra fazer o filho feliz. Isso só vai fazer mal pra ele(a) e pra vocês também. Quando se separarem vai haver sim um pequeno trauma, por não ver mais os pais juntos, porém é infinitamente melhor do que ver os pais mortos.”

Atenciosamente, Johnny.

(Tamires Alci)

3 comentários:

Willian Screamo disse...

Muito massa seu blog ja te segui em...
muito bom mesmo obrigado por passa no meu...

Karla Hack dos Santos disse...

Além da narrativa ser bem pessoal.. adorei como o texto acaba revelando uma mensagem maior...

Muito bom!

;D

Francorebel disse...

Texto cru, ácido, cínico, de humor negro. Fantástico. Coitada da mãe, e do infeliz do pai!... Sem falar no personagem-título, coitado... e tudo aconteceu há poucas horas, né. Xeque-mate no fim, golpe de mestre, você é uma escritora, ou romancista, de primeira qualidade.

Não julgo o Johnny, nem os pais, por nada. as coisas acontecem, mas podiam ter sido diferentes, e dado no mesmo fim, ou não.

Enfim.

Eu curti.

Aguardando emoções futuras. Bj, irmã!

F.

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