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quinta-feira, junho 09, 2011

A CASA

Entre os encantos da casa me perdi
Tudo parecia tão pequeno
E ao mesmo tempo tão proporcional a mim
O meu mundo.


Passei horas sentada no corredor
Olhando as paredes em um tom de verde-escuro
Parecia lodo
Parecia minha consciência podre.


Por tempos, todos os dias eu me pegava admirando os quadros das paredes
Em um deles havia uma belíssima paisagem praiana
Esse, em especial era meu favorito
Gostava de olhar para ele...Me lembrava tempos de menina
Onde com meus pais sempre iamos à praia
Que geralmente não tinha muita gente...
E infelizmente, também me lembrava de que nunca fui muito boa em construir meus castelos de areia.


O corredor era frio...gélido, tinha clima de morte
Diferenciava-se então do resto da casa, que era ternamente aconchegante, lembrava abraço de mãe.


Lembrava...
Hoje já não se lembra
Hoje já não se tem...


E eu que nunca fui boa em construir castelos de areia
Tenho uma muralha invisível ao meu redor
O que dizer de mim?


(Tamires Alci)


Ouvindo Agora: A Via Láctea - Legião Urbana



7 comentários:

Rubi disse...

Sempre com ótimas poesias!
E claro, ao som de Legião Urbana, tudo fica melhor ainda. Parabéns pela escolha (é uma das minhas preferidas)

Guga'LOL disse...

Ótima poesia!
E a música tbm!
Parabéns, site muito bom !

Ariane Yajima disse...

Nossa, realmente tocante seu texto...

Seria "o não saber construir castelos de areia" uma metáfora para dizer que não existem sonhos? Não existe esperança?

"O que dizer de mim?"
Seria o eu lírico uma pessoa perdida dentro de si mesma?

Muitas coisas a se pensar sobre o texto!

Bela escrita! Parabéns!

Karla Hack dos Santos disse...

Falando em Legião, neh?! (hehhehe)
Mas, que maravilha de versos!
Com aquele sabor agridoce que só encanta...

muito bom!

;D

Harize Tamara disse...

Sou do Blog Ville de Paradis (http://ville-de-paradis.blogspot.com/) e lhe indiquei a uma tag. verifique no post....

http://ville-de-paradis.blogspot.com/2011/06/o-que-amo.html

Francorebel disse...

A casa


O "eu"


A mãe











curto estas metáforas.

Bj!

F.

Dionísio, o Bardo disse...

Acho que há uma beleza escondida por baixo do manto da visão, uma beleza tão profunda, tão abrangente e tão catastrófica...
Eu sempre sinto essa beleza quando me sinto ligado ao mundo, quando sinto o elo que me une às paisagens, pessoas, a você e seus escritos, etc.

Esse tipo de coisa sempre me conforta e anima quando estou triste. Talvez o eu-lírico do poema possa tentar isso também!

http://lacatedraldasletras.blogspot.com/

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