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sábado, abril 30, 2011

MEUS DETALHES

São os meus pequenos detalhes
Que me fazem ver tudo completamente diferente.


A maneira como os cabelos desenham a face
Como os olhos sorriem junto com a boca
Como os misteriosos ornam graciosamente seu disfarce.


O céu se colore de azul
Em plena tarde se mancha com branco
E vai-se escurecendo
Passando por tons amarelo-avermelhados
Durante o pôr-do-sol.


As borboletas adornando as flores
E o perfume doce que paira no ar
Da moça que desce a rua
E sorri a cortejar tão linda paisagem.


Me encontre assim, meio que sem saber
Me encontre assim, quando apenas se cansar de ler
Me encontre assim, meio que quando sentir vontade de viver.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Shinny Happy People - R.E.M

quinta-feira, abril 28, 2011

O NOSSO AMOR

Voe nas asas da nossa liberdade
Sinta-se como nunca sentiu antes
Deixe minhas cores colorirem o seu desenho
Deixe o nosso amor fazer do rascunho, os detalhes...


O tempo passar e a gente não se importar com o relógio
O vento soprar e nossos cabelos dançarem
A música tocar e a melodia invadir todo o quarto
Todo o nosso pensamento
Toda a nossa mais profunda forma de "ser"
De "estar"
De "amar".



Tá acordando agora pra sentir essa viagem
Tá acordando agora pra curtir o nosso céu.


Escreva-me os teus versos soltos
E diga-os pra mim, como se ninguém mais os ouvisse
Diga, como se ninguém mais soubesse que a gente existe
Hoje a gente pode fazer de tudo
E deixar o tempo passar.


Agora a gente pode ser nosso, sem ninguém pra se preocupar
Sem satisfações pra dar
Sem a pressa de estar em outro lugar
Hoje, eu sou eu
E você é você
E nós somos muito mais que nós
Somos um só.


A mistura de 1 + 1 que não é 2
A mistura de 1 + 1 que continua sendo 1
Assim sendo, muito mais forte 
Muito mais nosso
Muito mais intenso.


As nossas possibilidades
As nossas escolhas
As nossas vidas...


O nosso amor.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Segredos - Frejat

quarta-feira, abril 27, 2011

NA CAMA

E quando vou descendo a escada
Pequenas gotas finas d'água começam a cair
Está um pouco escuro
Mas claro o suficiente para que eu possa ver os degraus.


Noite silenciosa
O vento quase sussurra meu nome quando passa por mim
O único barulho que escuto é o de meus próprios passos
Salto alto, scarpin, Dior.


Sobretudo preto
Cabelos negros esvoaçantes
Boca vermelha
Pensamentos soltos por aí
Livres feito lobos.


Loba
Seria essa a definição?
Selvagem, livre, feroz...


E vou caminhando devagar
A medida em que eu possa guardar a imagem de cada lugar por onde passei
O rosto de cada pessoa que vi
As lembranças do que vivi.


Aumento os passos quando alguém me chama
Agora a noite vai deixar de ser silenciosa
Não aqui...
Na cama.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Disease - Matchbox 20

terça-feira, abril 26, 2011

EU?

Eu sou dependente 
Dependente do meu eu
Das minhas músicas
Da minha paleta de cores.

Eu sou dependente do meu caderno e do meu lápis
Do meu mundo imaginário
Onde eu crio, recrio e destruo tudo da forma que eu quiser.

Eu tenho meus vícios
Eu tenho os meus erros
Eu tenho os meus defeitos
Talvez não tenha virtudes
Mas ainda mais talvez, eu seja humana por isso.

O meu olhar se perde de encontro ao horizonte
Sempre distante
Mas não tanto quanto o meu pensamento
Não tanto quanto os versos, que vão além do meu entendimento.

Para uma tarde fria, visto meu casaco verde
O zíper fica entreaberto
A porta fica entreaberta
O meu coração continua fechado
Fechado para balanço.

De noite, divago, discorro, descaso
Devagar, de novo, devolvo-me
Tudo que estava perdido
E que eu reencontrei
Aqui está.


Eu me devolvo a minha felicidade
Eu me devolvo os meus momentos preciosos
Eu me devolvo um sorriso
Eu me devolvo o direito de ser feliz
Eu me devolvo o direito de ficar triste
Eu me devolvo o direito de chorar, quando eu quiser
E por fim, eu devolvo-me a mim mesma.
.

Me perdi nos versos que estava escrevendo
Me desculpe, não contive meus sentimentos
Mas acho que isso não é um problema
Quem me entende, que se atente.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: At My Most Beautiful - R.E.M

segunda-feira, abril 25, 2011

JOHNNY(6) - FINAL

Carta 6 de 6

Fui para casa e para a minha surpresa, assim que cheguei, as coisas haviam degringolado totalmente. Meu pai apontava uma arma para minha mãe e dizia:
-Sua vagabunda, é por sua causa que essa merda está onde está, nós nunca fomos uma família e você vai se arrepender do que fez...

Minha mãe não teve chances de dizer muita coisa. Ele atirou na cabeça dela, enquanto eu assistia à todo aquele espetáculo bizarro de camarote. Não sei o que se passou por mim aquele momento, mas ela era minha mãe e eu tinha que fazer alguma coisa.

Entrei em casa, discuti com o meu pai e disse que ele não podia ter feito aquilo. Ele me respondeu cinicamente que iria ser melhor pra nós dois e nós poderíamos finalmente ser “pai e filho”. Ele disse também que não se importava com a “cachorra velha”. Essas foram suas últimas palavras.
Entrei em luta corporal com ele, e apesar de ainda estar bem fraco, de alguma maneira, consegui tomar a arma da mão dele. Atirei, sem pensar duas vezes.

Dei dois tiros: Um no coração e um na cabeça e chutei seu corpo por várias vezes depois.

O que eu fiz não foi certo e é por isso que estou escrevendo essas cartas pra alguém. Há quase uma hora os corpos dos meus pais estão estendidos no chão. Um deles é culpa minha o outro não. Mas qualquer um irá deduzir que eu os matei. Não, eu só matei meu pai.

Não quero que pensem que eu fui um psicopata ou coisa assim. Eu só precisava de um pouco de atenção e vou deixar um recado à todos vocês:

“À todos vocês que são pais, nunca briguem na frente de seus filhos, não importa se tem um ano ou dez. Crianças também percebem quando algo está errado. Se vocês realmente querem brigar, briguem longe e se acharem que não podem continuar, se separem. Não vale a pena ostentar um casamento falso pra fazer o filho feliz. Isso só vai fazer mal pra ele(a) e pra vocês também. Quando se separarem vai haver sim um pequeno trauma, por não ver mais os pais juntos, porém é infinitamente melhor do que ver os pais mortos.”

Atenciosamente, Johnny.

(Tamires Alci)

sábado, abril 23, 2011

JOHNNY (5)

Carta 5 de 6 

Chegando lá, me doparam...Ao que me parece, fiquei dormindo por uns três dias. E fiquei lá durante uns 10...Até fugir e agora vou relatar um pouco do que foi aquele inferno.

•Um pouco depois que acordei, fui tomar café da manhã, vomitei tudo logo em seguida.Sentia dores fortes no estômago e mal conseguia me manter em pé...Uma enfermeira me levou pro quarto logo depois de um desmaio.

Me medicaram com alguns anti-psicóticos e anti-depressivos, de alguma maneira, eles faziam eu me sentir bem-humorado até o próximo vômito.

Vomitar sempre me deixou muito aborrecido.

•Tudo bem eu já estava há uns quatro dias sem usar nenhum tipo de droga, tirando que em três deles eu dormia. Droga de cocaína, parecia tão legal e de repente eu me vejo aqui, nesse lugar, parecendo um monstro enjaulado.

•Estou sóbrio, mas esta abstinência está me matando, meu corpo clama por um pouco mais de droga....Parece que uma voz dentro de mim, grita alto:
-Fuja daqui e vá arrumar um pouco, eu preciso, você precisa, seu corpo necessita disso e você sabe mais do que ninguém.

Mas eu não ia ceder assim tão fácil, eu realmente estava tentando me manter sóbrio e ficar limpo.

•Eu estou muito doente, meu corpo está quente e minhas pernas tremem, eu realmente não sei o que está acontecendo, parece que um caminhão passou por cima de mim. ‘Frágil’ é pouco e não descreve a minha situação atual.

•Estou ficando louco e minha recordações estão me matando, ninguém vem ao menos me visitar.
Eu estou muito aborrecido e não agüento mais esses remédios. Sim vou arrumar uma maneira de fugir.

Logo pela manhã do dia seguinte, arrumei uma maneira de fugir. Não vou dizer como, se alguém ler isso um dia, poderá usar da mesma técnica e isso não seria bom pra quem estava quase se recuperando.

Continua...

(Tamires Alci)

sexta-feira, abril 22, 2011

JOHNNY (4)

Carta 4 de 6

Eu passei a me afundar, eu já não tinha mais controle sobre mim, eram só as drogas, eu vivia para elas. Meus até então “amigos”, começaram a perceber a situação em que eu estava, e vendo que não podiam mais me ajudar, começaram a se afastar de mim. Não os culpo.

Debby cansou de ter longas conversas comigo, dizia que eu não podia agir daquela maneira. Diego, um dos melhores e mais ajuizados de todos nós, passou a ter medo da criatura que eu havia me tornado.

Foram se afastando lentamente de mim, até perderem completamente o contato. Até hoje não sei para onde eles foram, se é que eles ainda freqüentam algum outro lugar juntos. Se um dia chegarem a ler essas cartas, quero que fique expresso aqui que a amizade de vocês sempre foi muito importante pra mim e apesar de não termos mais contatos, gostaria que soubessem que eu sinto falta das longas tardes que nós tínhamos. Espero veemente que nenhum de vocês tenha se afundado tanto quanto eu.

Enfim, voltando a história...

Como eu já não tinha mais amigos para me arranjarem um pouco de coca, passei a me misturar com pessoas realmente ruins...Pessoas que me vendiam e que vinham me cobrar uma semana depois. Como eu nem sempre tinha dinheiro para pagá-los, passei a praticar pequenos furtos, somente para pagar a droga que eu consumia.

Em uma dessas ocasiões, fui preso, a essa altura, eu já não aparecia em casa há mais de uma semana...Minha mãe pensava que eu já estava morto, quando o telefone tocou:

-Alô
-Alô, senhora Arlete?
-Sim, sou eu
-Aqui é o Delegado Jorge, da 13ªDP, liguei para avisar que seu filho Jhonatan está preso por furto e porte de drogas. Compareça aqui na delegacia o mais rápido que a senhora puder.
-Sim, obrigada delegado, já estou indo ai.

Minha mãe ficou em estado de choque. Não era pra menos. O filho dela que sempre foi tão quieto, tão compenetrado, agora havia se tornado um marginal.

Foi então até a delegacia, conversou por alguns longos minutos com o delegado e pagou a minha fiança, mas eu sabia que aquilo não ia ficar assim.

E não ficou, decidiu me colocar em uma clínica de reabilitação, depois que eu contei tudo pra ela.
Fui, de livre espontânea culpa.

(Tamires Alci)

Continua...

quinta-feira, abril 21, 2011

JOHNNY (3)

Carta 3 de 6 

Chegando em casa, meus pais encheram a minha cabeça, perguntando onde eu estava e fazendo o quê e dizendo que estavam preocupados...Não respondi muita coisa...Comi um lanche e fui pro meu quarto.

Passei o dia inteiro lendo e pensando naquelas estranhas pessoas que eu havia conhecido, gostei muito deles.

No outro dia, voltando da escola, passei novamente para falar com o pessoal, ficamos todos conversando e rindo, a gente se dava muito bem...Ouvíamos várias coisas, e eles foram me ensinando a gostar de Aerosmith, Guns N’ Roses, Whitesnake, Black Sabbath...

Todos os dias passava por lá, e à uma certa altura, já não me preocupava mais com a hora de voltar pra casa, eu viajava naquelas músicas e nos solos de guitarra, e aquelas pessoas estranhas passaram a ser a minha família...Era com eles os meus momentos mais felizes...A gente se divertia, ria, fazia Air Guitar e falava dos músicos fantásticos que a gente ouvia.

Mas eles tinham um pequeno defeito. A maioria usava drogas...E bom, minha mãe sempre disse pra eu não usar e não chegar perto de pessoas que usassem...Não adiantou muito.

Me batia uma curiosidade enorme sobre aquilo que eles usavam. Sempre me ofereciam, mas eu dizia: “hoje não cara”...
Até que um dia eu resolvi experimentar. Me deram um pouco de cocaína...Eu gostei da sensação, porém sabia que o que eu estava fazendo era errado, e isso me excitava ainda mais.

Não demorou muito tempo pra eu ficar viciado, eu usava, ficava um pouco ancioso e parecia que as minhas percepções aumentavam...Eu adorava aquilo. Esquecia completamente de que meus pais estavam em casa quase se matando...Queria mais é que eles fossem se foder.
Era sempre assim, eu chegava em casa, dormia, ia pra escola e quando eu voltava, lá estavam eles me esperando...Com aquela música apaixonante e seus sorrisos eufóricos.

Depois de alguns meses, passei a me lixar para qualquer coisa que pudesse me tirar da presença deles, eu realmente adorava-os, eram meus amigos, coisa que eu nunca tive na vida, por ser estranho ou isolado demais.
Eu passei a cabular aulas, me drogar mais, chegar em casa cada vez mais tarde. Meus pais nunca sabiam onde eu estava mesmo...


(Tamires Alci)

Continua...

quarta-feira, abril 20, 2011

JOHNNY (2)

Carta 2 de 6 

Voltando da escola no dia seguinte, fiz o mesmo trajeto e passei em frente ao mesmo bar, lá estavam agora alguns rockeiros, todos vestidos nos seus trajes pretos e tentando ser ameaçadores, na minha humilde opinião eles pareciam tão excluídos quanto eu, e foi isso que me fez ter coragem de ir até lá...

-Olá (eu disse)

-E aí cara...Beleza? (Respondeu uma das meninas que estavam lá)

-Tudo bem e vocês?

-Tudo certo...(responderam-me, dessa vez, todos)

-Chega aí cara, fica aqui com a gente

-Okay.

Puxei uma cadeira e me sentei perto deles.

-Qual seu nome?

-Meu nome é Jhonatan...

-Okay Johnny, meu nome é Débora, mas pode me chamar de Debby, e aqueles 
são Sam e sua namorada Jany, Andy, Guilherme, Diego e Juliana.

Depois da apresentação, ficaram me fazendo mais algumas perguntas, nada muito pessoal...Perguntei à eles que música era aquela que estava tocando no momento e Diego, prontamente me respondeu:

-É Hells Bells, do AC/DC...Você conhece?

-Não, não conhecia, na verdade não escuto muito música, fico a maior parte do meu tempo lendo livros antigos...Mas ontem quando passei por aqui, uma música me chamou muito a atenção e fiquei cantarolando ela o dia inteiro...

-Qual era a música?

-Era mais ou menos assim: “I’m on the highway to hell...”

-Ahhh Highway To Hell do AC/DC também…Nós gostamos muito…

-Eu também gostei.

Me distrai nas horas conversando com aquelas pessoas que me acolheram tão bem, que não me acharam estranho ou doido...

-Meu Deus, já são três da tarde...Eu tenho que ir, meus pais devem estar preocupados

A príncipio eles contiveram as risadas, pra eles era estranho um garoto de 17 anos ainda ter que voltar pra casa na hora certa...

-Tchau pessoal, eu tenho que ir...

-Tchau Johnny, passa ai amanhã pra gente conversar mais um pouco...

-Ok.

(Tamires Alci)

Continua...

•Ouvindo agora: Hell's Bell's - AC/DC


terça-feira, abril 19, 2011

JOHNNY (1)

Carta 1 de 6 

Desde muito pequeno sempre fui isolado, sou filho único e consequentemente,  meus pais me superprotegiam demais, não me deixavam brincar na rua com as outras crianças. O único lugar em que eu mantinha contato com as outras pessoas, era na escola. Porém eu fui crescendo e me tornando cada vez mais isolado. Não tinha amigos na escola, ninguém gostava de ficar perto de mim, algumas pessoas riam e me achavam esquisito, mas eu nunca fui de me importar com a opinião dos outros.

Assim que chegava da escola, ia direto ao meu quarto, onde ficava a maior parte do tempo lendo alguns livros velhos que achei nos pertences do meu pai. Alguns estavam tão velhos que suas páginas eram completamente amareladas e um pouco puídas...Só saia do meu mundo imaginário para fazer as minhas refeições e minha higiene pessoal. Todos os dias eram assim: Escola, livros, almoço, higiene, livros, dormir, escola, livros...

Certa vez, quando voltava da escola, passei em frente à um bar que tocava uma música alta...Era rock n’ roll. A música tomou conta do meu ser por alguns instantes, eu fiquei quase extasiado, mas continuei andando, afinal, minha mãe se preocuparia se eu me atrasse da escola. Chegando em casa, fui para o meu quarto, como de costume.  Tentei me concentrar e continuar o livro que eu estava lendo “The Catcher In The Rye”, o livro era muito bom, mas por algum motivo, naquele dia, não consegui me concentrar...

Fui almoçar, estávamos todos ao redor da mesa, nunca fomos uma família normal, e pra falar a verdade, eu acho que todos nós, nos odiávamos mutuamente...Não era segredo para mim que meus pais trocavam ofensas horrorosas enquanto eu estava no meu quarto. Eles pensavam que eu não ouvia e gostariam também que eu não ouvisse, mas eu ouvia. Certas vezes chegavam ao extremo de se agredirem. Não queriam se separar, pois os dois, pensavam no meu bem. Queriam que eu terminasse a escola e fosse uma pessoa honesta. E não viam um futuro pra mim se os dois se separasse, achavam que eu iria ficar com um tipo de trauma. A verdade é que o trauma maior, foi passar todas aquelas tardes ouvindo as ofensas trocadas entre eles.

Voltei para o meu quarto, e novamente peguei o livro e tentei me concentrar, mas aquela música tomava conta de mim, e de repente, me peguei cantando: “I’m on the highway to hell...On the Highway to hell”.

•Ouvindo Agora: Highway To Hell - AC/DC


Continua...


(Tamires Alci)

segunda-feira, abril 18, 2011

RED SKY

As variações sobre o mesmo tema 
Variações do mesmo assunto
Da mesma tendência
Que no fundo são sempre a mesma coisa.


Você se esconde
Em prol do seu próprio bem
Em prol da sua proteção
E da segurança que você não tem.

             Não sou anti-pática
        Apática, mal-humorada
    Mal-educada ou rabugenta
Eu só não gosto de você
Entendeu agora?

Eu não preciso ostentar um sorriso
Pra adornar o meu rosto
Se eu não quiser
Eu não preciso agradar à você.

Eu sou o que sou, e muitos me detestam assim
Mas de nada me afetou até hoje
Alguns me amam, alguns simpatizam
Alguns são amigos, alguns guardam mágoas
E alguns...Ainda me amam em segredo
E isso não é novidade pra mim.

E porque eu posso gritar, eu grito
E porque eu posso cantar, eu canto
E se eu puder falar, manterei seu segredo
O mistério é  a alma do negócio, meu caro.

Se o seu céu é azul
Acho que o meu é vermelho.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: What It Takes - Aerosmith

sábado, abril 16, 2011

DESTINO?

E vou me travestindo
Me vestindo
Me sentindo
Fora do contexto.

Não interessa se amanheceu, anoiteceu
Se veio ou se foi
Se o encanto se perdeu.

Não interessa quantas vidas vou ter que viver
Ou por quantos anos continuarei sendo eu mesma
Eu mesma?

Qualidades te elevam
Defeitos te fazem humano.

Certa vez conheci uma pessoa
E não sei porque tive a maldita impressão que já havia estado lá antes
Odeio dejavú.

Não me sinto bem não sabendo o que posso ou não fazer
Não me sinto bem tentando acreditar em destino
Porque eu não suporto a ideia de que eu não posso controlar os meus atos
Ou que todos eles, certos ou errados, vão me levar ao mesmo lugar.

Mas deixa isso pra lá
Esse lance de destino já é papo pra outro poema.

(Tamires Alci)

quinta-feira, abril 14, 2011

HOJE EU ACORDEI MEIO

Meio depressiva 
Meio fria
Meio pessimista.


Hoje eu acordei meio
Meio bêbada
Meio sem me importar com a maquiagem
Ou com as unhas.


Hoje eu acordei meio com vontade de tingir o cabelo
Para um tom de vermelho, ou sei lá
Se não ficar do meu agrado
Eu corto e assim me sentirei menos eu.


Hoje eu acordei meio com uma dor de estômago
Meio obscura
Meio sincera
Meio refém da minha própria tortura.


Hoje eu acordei com vontade
De dizer meias verdades
E viver minhas meias ilusões.


Hoje eu acordei meio sem vontade de levantar
Meio Kurt Cobain
E meio com vontade de me suicidar...


Hoje eu acordei meio eu mesma.


(Tamires Alci)


Sappy (A.K.A - Verse Chorus Verse) - Nirvana

quarta-feira, abril 13, 2011

ESTRELAS - ALGODÃO DOCE

Mas isso tudo é tão certo 
Quanto o incerto infinito de meus versos.


Mas isso tudo é tão real
Quanto a surrealidade dos meus pensamentos.


E isso tudo é tão meu...
É tão meu
E eu sou tão egoísta
Ego-ísta.


Eu não sei descrever
Eu não sei escrever
Eu não sei o que há nas entrelinhas
Eu não sei o que há nem mesmo nas próprias linhas.


De finito, por enquanto é só isso
Não é engraçado como as estrelas às vezes se parecem tanto com algodão doce?


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Another Brick In The Wall (Part I, II, III) - Pink Floyd

terça-feira, abril 12, 2011

DE AMOR

E enquanto escuto essa canção 
Quero apenas que conste aqui 
O tamanho do meu amor 
Não vou dizer que é o maior amor do mundo
Mas é tudo o que eu posso lhe oferecer
E ofereço de coração.


Não vou dizer que posso te escrever os mais belos versos
Porque nem poeta eu me considero
Mas gostaria apenas que fizessem algum sentido pra você.


Não vou lhe dizer que não viveria sem você
E que eu gostaria que estivesse aqui
Porque isso tudo eu já disse antes
Gostaria apenas que soubesse o quanto é especial.


Não é especial como um feriado
Não é especial como o natal
Não é especial como o halloween
É um especial mais importante
É especial a minha maneira.


O que eu sou é quase descrente
E não faz sentido se você não estiver aqui.


Acho que realmente essas linhas pontuadas e acentuadas podem se perder daqui a alguns anos
Podem se perder entre outros papéis que não sejam importantes
Podem se queimar
Podem se envelhecer
Mas que fique guardado em seu coração o meu amor
Que fique guardado no seu olhar, a menina dos seus olhos
Que fique guardado no seu sorriso, a minha felicidade.


E isso é tudo o que eu nem sequer poderia dizer...


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Dear God - Avenged Sevenfold

segunda-feira, abril 11, 2011

CAMILA

Sentada aqui na poltrona da sala de estar 
Caminho pelo mundo que eu mesma criei
Criei para não precisar viver somente nessa aberração que todos chamam de "terra"
Criei o meu mundo, os meus lugares, as minhas pessoas
Criei os meus amigos imaginários...
Que provavelmente são muito mais reais que seus amigos de verdade.


Vivo claramente das coisas que me prendem à realidade
Como o colar que você me deu
Pra qualquer um pode ser uma coisa banal
Mas para mim, tem um valor realmente significativo
E valor nenhum no mundo poderia pagar as lembranças que isto me traz.


Diferente de tudo que um dia, meus olhos insensatos poderiam ver
Seu cabelo era negro, mas quando a luz do sol atravessava-os, refletiam um tom quase obsceno de ruivo
Quase obsceno era o seu olhar, contornado pelas sobrancelhas grossas
Quase obscenas eram suas mãos, com as unhas pintadas à um toque de vermelho
Quase obsceno era seu corpo, cheio de curvas
E obsceno mesmo era o seu sorriso, que mastigava toda a minha sanidade
Obscena mesmo era sua boca, rósea, carnuda, que me desejava, que me chamava, que me queria.


Que hoje não me quer mais...


Ainda estou aqui sentado na poltrona da sala de estar 
Agora vagando pelas minhas lembranças
Agora pensando em versos para escrever
Agora destilando a minha sanidade
Destilando um pouco do amor que eu ainda sinto por você.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Piano Bar - Engenheiros Do Hawaii

quinta-feira, abril 07, 2011

DEFLEXÃO

E se eu não conseguir, tenho a certeza de que tentei 
E se eu não conseguir, nas minhas memórias, livre eu estarei.


Se você não se entrega de coração à algo que realmente ama
Tenha certeza de que não vale a pena viver.


Algumas vezes, nas entrelinhas escrevo
Entre linhas faço meus verso
E me torno eterna...


De que valeria se eu vos escrevesse um poema que não fizesse sentido algum, nem para mim?


As letras e palavras que escrevo
Escoam da minha alma
Direto pelos dedos
E não consigo controlar.


De todas as vezes que tentei e falhei
Não errei, aprendi.


Aprendi que entre olhares pode se ver claramente um "eu amo você"
E em um "eu amo você" pode estar escondido "não quero mais, porém tenho pena de te magoar"
Todos nós já somos maturos o suficiente para saber a diferença entre tudo isso
E porque, mesmo assim tentamos nos enganar?
Prolongando uma dor que nem, jamais, deveria ter existido
Promovendo a distância entre nós, mesmo que nossas mãos estejam unidas...


Deveras eu nem dizer isso, nem escrever isso, nem pensar sobre isso
Deveras eu não ser quem sou...
Talvez eu nem devesse existir...


Se fosse simples como todos nós pensamos que iria ser
Talvez ainda acreditássemos que além do arco-iris há um lugar bem mais bonito do que este em que estamos
Este em que vivemos
Este que destruímos...


Não tente reler meus versos, não tente mais de uma vez saber quem eu sou
Se leu uma vez e me entendeu...Você também não deveria existir. 
Se perca em minha deflexão e toque meu céu azul-avermelhado.


"O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o que era verde aqui, já não existe mais"


•Ouvindo Agora: Fábrica - Legião Urbana

quarta-feira, abril 06, 2011

FALSA FELICIDADE?!

T -Porque você se sente assim? 


K -Não sei, eu não deveria me sentir assim pra falar a verdade...


T -Eu concordo e você sabe disso tudo e mesmo assim ainda pensa dessa forma?


K -Não é por mal...É involuntário, eu poderia dizer...Ver ela com um sorriso no rosto e feliz quando me vê, me faz feliz, mas me faz mal...


T -Te faz mal?


K -É me faz mal ver toda aquela felicidade dela, espalhando se por todo lado, e eu saber que essa felicidade é por minha causa...Eu acho que deveria estar feliz também...


T -E você não está?


K -Não estou, isso me corrói...Eu deveria dar uma chance, tá eu sei...Eu estou dando uma chance, mas parece que dentro de mim tem alguém se trancando pra não deixar aquilo virar verdade, você me entende?


T -Entendo...Pode desabafar...


K -Às vezes quando estou com ela, sinto que estou bem, que estou livre, que tenho alguém para contar sempre, que eu posso falar de todos os meus planos, frustrações e medos, sei que ela me entende...Sei que ela entende até o meu jeito mais complexo de ser, mesmo quando eu tenho as minhas crises de identidade, as minhas crises de sentir raiva de tudo, eu sei que ela está ali para mim, só para mim. Mas às vezes eu sinto como se estivesse a um ponto de decepcioná-la extremamente e eu detestaria fazê-la sofrer, mesmo sabendo que uma hora isso vai acontecer. Eu deveria ter nascido pra ser sozinho mesmo...


T -Não se sinta assim, todos nós somos culpados por nossas escolhas e todos nós vamos sempre decepcionar alguém, mas precisamos ter cuidado para não decepcionar a pessoa errada.


(Baseado em conversa com K [anônimo])


•Ouvindo Agora: Fake Plastic Trees - Radiohead

terça-feira, abril 05, 2011

NIILISMO

E sinto assim apenas que devo continuar... 


Trovões cortam o silêncio da tarde chuvosa em que estou
Sentada na poltrona da sala, acomodo-me
Apenas a olhar as pequenas gotas lavando minha janela.


Está escuro aqui, mas ainda são 16
Um copo de vinho
Um maço de cigarro
Pro calendário falta um mês.


Tudo se completa nessa minha cena
Retro-esquizofrênica
A sala escura, os móveis imóveis
A fumaça do cigarro
O copo meio cheio
E não há mais ninguém aqui.


Não existe nada de absoluto nisso tudo
Não existe dor absoluta
Nem tristeza absoluta
Nem mesmo felicidade....
Já não sei.


É meio niilista
É meio de mim pensar assim
Mas são essas longas tardes à espera do nada que me fazem ser eu
Enquanto o rádio repete mais uma vez aquela sua canção....


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Atmosphere - Joy Division
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