Subscribe:

terça-feira, maio 22, 2012

NO MEIO DO CAMINHO

Botou umas roupas na mochila, pegou as chaves do calhambeque de seu pai e foi, sem dar a menor explicação à ninguém, ninguém se importava mesmo.

À caminho de algum lugar deu carona pra um amigo da faculdade, aquele tal de Willie Nelson que cantava umas músicas de dor de corno, era engraçado o tal Willy, ele sempre teve essas ideias de sofrer por amor, dar valor ao amor e sempre quebrou a cara, acabava fazendo suas músicas assim, entre um copo de vinho e um adeus. 

Sarah gostava muito dele, isso ela não podia negar, eram amigos há anos, então era a única pessoa que queria levar consigo, mesmo não sabendo pra onde ia, mesmo não sabendo se um dia ia voltar. Passaram uns três dias dentro do carro, a maior parte era silêncio...E quando digo silêncio, são aqueles tipos de silêncio que duram mais de duas horas. Willy ficava com um caderno velho, escrevendo ali suas dores, remoendo seus pecados. Ele tinha olhos azuis, uma cor de azul diferente, era quase transparente. Era um cara caladão mesmo, tinha barba mal-feita e cabelos longos e loiros, seu olhar era mais velho que seu caderno.

Sarah, ah essa era a peste...Nunca ouviu nada sem ficar calada, sempre tinha resposta pra tudo, mesmo que a resposta fosse um curto e grosso: "Vá tomar no cú". Não tem muito o que falar da Sarah, e ela também não gosta que falem.

Enfim...

Depois desses três dias, entre postos de gasolina e acostamentos, Willy finalmente deu sinal de vida, tirou um cd da mochila, era um bem velho e acabado do Legião Urbana e disse: -Põe essa porra pra tocar, não aguento mais esse silêncio.

E assim fizeram...

Entre uma música e outra encontraram um guri na estrada, pedindo carona. Acho que ainda tinha lugar no carro. Ele entrou. Tinha uma mochila suja que chamava de Jacira e não sei porquê o rosto dele lembrava a Lady GaGa. Ah foda-se.

Depois de mais algumas músicas, Sarah se sentiu sem destino, disse que não sabia pra onde ir. O guri falou que queria transar...Com Sarah e Willy. Ele não durou muito tempo depois disso. Ela o tirou do carro debaixo de pontapés e palavrões escrachados. Eu me lembro que a última coisa que ela disse, foi algo do tipo: -Vá transar com a puta da sua vó, aquela piranha que num devia ter colocado nem a sua mãe no mundo, seu vagabundo...E a porra da mochila fica com a gente!

Willy foi fuxicar a tal Jacira, tinha nada de bom: Uns cigarros meio amassados, camisinhas (embora parecesse que ele não gostava de usar), umas roupas sujas, unhas postiças, uns fungos esquisitos e um livro...Acho que era aquele tal Apanhador no Campo de Centeio. O livro, Sarah tomou das mãos de Willy e jogou pela janela dizendo: -Esse cara já pegou carona comigo uma vez, ele tem problemas demais...

Angra dos Reis tocava no rádio...E decidiram assim que era pra lá que iriam, e foram, continuaram seguindo a estrada e as histórias malucas, eles encontraram uma garota quando chegaram lá, ela usava um vestido branco que estava sempre balançando e um batom vermelho...Mas essa vai ficar pra quando sobrar espaço.

1 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Gostei demais do seu conto, um road movie desse conto com certeza ficaria legal demais.Beijos.

Postar um comentário

•Expresse sua opinião de forma coerente
•Respeite os outros leitores
•Nada de palavrões
•Sem ofensas
•Evite escrever com o CAPS LOCK ligado
•Evitexx excrever axim também (Obrigada)
•Volte Sempre! :)

  •