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segunda-feira, julho 09, 2012

REABILITAÇÃO (POLITICAMENTE INCORRETO)

E teve um breve momento de 'iluminação' enquanto olhava pela janela, observando as pessoas andando feito formigas lá fora. 

Ela morava no 8º andar. Todos os dias chegava do trabalho cansada, tirava seus tênis e camiseta e preparava um café, enquanto este não ficava pronto, ela olhava sempre pela janela.

Ultimamente estava a levar uma vida de cão, tinha um fim de relacionamento na cabeça e umas lágrimas ainda por chorar. Mas ela se achava forte demais pra isso, sempre se negou à sofrer. Mal percebia que quanto mais se sufocava, mais seu sorriso ia ficando amarelo, desgastado.

É todo mundo tem problemas, os dela eram muito mais que normais. 23 anos, morava sozinha, fazia faculdade, namorava há bastante tempo...Namorava.

Ela era uma sonhadora até então, talvez a "última romântica", só pra citar Lulu Santos. Gostava da ideia daqueles filmes clichês de 'Sessão da Tarde'. Aliás, ela tinha quase certeza que uma hora, um dia, uma história dessas seria a dela.

Os pais que a amavam muito e os amigos também, alguns foram vitais pra sua 'quase reabilitação'. Não é assim que se fala quando você se desvencilha de algo que te faz mal, de uma droga? REABILITAÇÃO. Eis a palavra.

Tinha se tornado rebelde, seu cabelo, antes loiro, agora é ruivo, vermelho feito o fogo...O fogo que ardia em seus olhos, apesar de azuis. Espalhou alguns desenhos pelo corpo, em áreas que não afetassem seu empreguinho medíocre. Tinha um corvo, duas rosas, um revólver em sua perna esquerda...E uma revólver que tava apontado contra sua cabeça, engatilhado...Pronto para pintar as paredes com restos de cérebro. Não era real, mas era muito mais assustador do que se fosse. Alguns diziam que aquela porra se chamava depressão...Ela achava que não, depressão é doença de rico. Pobre enche a cara de cachaça e fica tudo certo.

Todos os dias eram iguais, chuva, sol, arco-íris...Foda-se essa merda, independente do dia, da hora do dia ou do mês era sempre igual. Como um déjàvu. Mas o que ela queria mesmo era mandar todo mundo ir tomar no cú.

Sua tristeza aumentava ou depressão...seja lá o que for. Mas quando olhava pela janela sentia-se bem, com seu sutiã de bolinhas, não tava nem aí se alguém visse. O interfone tocou, parece que um novo amor bate à porta do 817. 

A gente continua essa história uma outra hora, o café já terminou de passar, e eu tô indo lá buscar.

E o momento de 'iluminação'? Foda-se ele, talvez você só entenda quando tiver um.

Vide: "Epifania"

(Tamires Alci)

1 comentários:

Francorebel disse...

Que bonito isso, irmã.
Se eu tivesse em condições eu escreveria mais.
Li do jeito que deu.
Captei o detalhes belos.

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