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quinta-feira, julho 05, 2012

THAILA ACORRENTADA

E nesse meio tempo foram tantas coisas, foram tantos pensamentos, tantas poesias, tantos sentimentos.


Acordava no meio da noite, imersa no seu próprio suor. Com respiração ofegante e uma extrema sensação de derrota, de dever mal cumprido. Ela insistiu esse tempo todo em se culpar, mas não, a culpa nunca foi dela...A única culpa que realmente a pertenceu foi a de confiar demais, foi a de se entregar demais, de acreditar demais em sonhos vãos, em meros devaneios.


Sua boca estava seca, ela tentou engolir (sabe-se lá se foi o medo, a culpa, a incompreensão ou seu sangue), mas não desceu, ficou travado, como uma bala presa na garganta, não uma bala doce, uma bala mesmo, um tiro.


Parou por uns instantes, olhou ao redor, estava completamente só. Haviam posteres colados nas suas paredes, eram como milhares de olhos, que só sabem julgar e nunca ver.


Passou uma das mãos pela testa, enxugando o suor, fez cara de decepção. Olhou vagamente pra nada. Milhares de pensamentos lhe tomaram a cabeça, milhares de possibilidades, milhares de tentativas, milhares de chances, milhares de "e se..."


-E se eu tivesse calado?
-E se eu tivesse me dedicado um pouco mais?
-E se eu não tivesse dito aquilo?


Ela não enxerga por entre tantos "se's", mas eu enxergo e te digo que seria tudo a mesma coisa, talvez com um pouco mais de dor, talvez demorasse mais alguns anos, mas ia terminar da mesma forma...Tudo o que é construído sem alicerces, uma hora desmorona. Apesar de não querer enxergar, ela sabia tanto quanto eu.


Escondia muitos segredos entre seus cabelos, muito desejo entre as mãos e pernas. Suas palavras mais bonitas não eram ditas com a boca, rubra pelo batom, por que ela julgava "pecaminosa". Suas palavras mais puras eram ditas nos seus olhos, que às vezes pareciam tão amargos. Ela os disfarçava também, usava sempre delineadores e sombras, tudo isso pra não ficar tão "na cara" (literalmente) quem ela era.


Ela não era tão diferente assim, usava roupas comuns, pegava ônibus, calçava sapatos, nada de extraordinário. Nunca sonhou com um príncipe encantado, mas chorava vendo os filmes clichês de comédia-romântica da sessão da tarde. 


Ela podia não ter nada de especial, mas suspeitava, quase claramente, de que alguém via o que ela não podia ver.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora:Woman In Chains - Tears For Fears

Ps. Significado de Thaila: "Fortaleza"



2 comentários:

Fabinha disse...

"Escondia muitos segredos entre seus cabelos, muito desejo entre as mãos e pernas."

Lindo texto, moça! Adorei... :)

Francorebel disse...

Nunca é demais falar das correntes, sister.

Pra você:

Inexplicando a Loucura, o Amor e o Silêncio:
http://www.youtube.com/watch?v=2IjIA_BihRI

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