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terça-feira, agosto 14, 2012

CONTOS URBANOS - ALANA

Descia as escadas tão suavemente que parecia ensaiar algum tipo de dança, balé talvez...

O vestido cobria-lhe as pernas, até a alturas dos joelhos, era um tecido leve e a cor era rosa, rosa bebê. Um rosa daqueles que quase nunca se vê. Um modelo delicado, com um laço que balançava ao vento. Nos pés, uma sapatilha branca com detalhes dourados. Por falar em dourado, essa era a cor de seus cabelos também. Dourados, cacheados...Feito o dos anjos. Seus olhos eram azuis diamante.

Parecia uma princesa. Uma princesa de 17 anos, com todo aquele ímpeto juvenil. Cantarolava alguma canção que havia surgido muito antes dela nascer, se não me engano, parecia Janis, mas vai-se-lá saber...

Era fim de tarde de uma primavera de 96. O clima era agradável, ventos mornos corriam a toda hora. E o céu? O céu àquela hora já estava em tons róseos que levemente se misturavam ao amarelo, coisa mais linda de se ver. Parecia um tipo de aquarela borbulhante.

Alana sentou-se em um dos degraus. Sentiu-se um pouco alta, deixou-se levar pelos encantos daquela tarde. 

Pensou em tantas coisas que ahhh...Dá até preguiça de escrever. Era engraçado como já havia vivido tantas coisas em seus tão poucos 17 anos. Lembrou-se das viagens com a família, dos amigos...E nesse último caso, lembrou dos muitos que já não estavam mais lá, dos muitos que, na verdade, nunca estiveram lá realmente. Não se arrependeu de um dia tê-los chamado de amigos. Apenas sorriu. Sorriu um sorriso descrente, como quem faz um esforço pra acreditar na humanidade.

E de seus amores...Havia tido três, até então. Como pode se supor, nenhum deles prosperou. Não era pra prosperar, não era o tempo certo. Alana era apenas uma menina cheia de inseguranças e medos, ainda havia muito o que aprender.  Perdeu o olhar no horizonte e suspirou.

Parou por alguns instantes, levantou-se, catou uma flor no jardim e a pôs entre seus cabelos e continuou cantarolando a tal música de antes.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Bye Bye, Baby - Janis Joplin

6 comentários:

Arash Gitzcam disse...

Um jardim em que ela se misturava às mais belas flores...

Emanuella Casado disse...

nossa, vc tava escutando a janis.adoro!

to seguindo o blog ta? segue o meu tbm?
bjs

http://www.amodernpinup.com

Arnoldo Pimentel disse...

Há muitas Alanas por ai, mas a esperança deve viver em todos os corações.Beijos.

Marie Motta disse...

Acreditar na humanidade é o que pratico toda semana. Não aceito um mundo louco e perturbador como esse que tenho vivido. Tenho esperanças em dias melhores, como esse final de tarde com um céu encantador. Texto leve e muito gostoso de ler. Beijos

B. disse...

Nossa, parece que me senti vivendo como Alana. Achei incrível os detalhes físicos dela comparados com as flores, deixou o texto muito lindo. Gostei da frase "Era engraçado como já havia vivido tantas coisas em seus tão poucos 17 anos.". A idade não importa e sim a intensidade como vivemos e as experiências que passamos.

Francorebel disse...

Oh, janis... oh, Alanis...

É muita treta, irmã.

Escritreta...

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