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quinta-feira, agosto 09, 2012

CONTOS URBANOS - MARCOS

Estava no seu quarto, estava escuro, não muito escuro...Um tom de quase meia-luz, só que sem tanta luz. Divagava solenemente sobre algo que nem ele sabia o quê. Um misto de paixões, frases e filmes. Em sua vitrola, majestosamente podia-se ouvir o "Dark Side Of The Moon" e vamos combinar que esse disco é um ótimo pretexto para se pensar na vida e em todas as suas especulações. Talvez, aquele exato momento, mais tarde viria a ser algum tipo de texto descrente que ele iria escrever.

Estava deitado, um dos braços dependurava-se pra fora da cama, segurava um cigarro, que, de vez em quando, levava à boca. Olhava fixamente para o teto. Era um tipo de olhar mais perdido do que o de alguém que não tem pra onde ir. Era um olhar que fitava o teto, mas que, na verdade, parecia atravessá-lo e ver as estrelas. O olhar de alguém que, apesar de tudo, ainda acredita...Ou finge acreditar.

Era magro, moreno, tinha por volta de 1,75 de altura e um sorriso sacana. E aposto que ele vai sorrir exatamente assim  quando vir a ler essa descrição. Tinha olhos de garoto, doces...Um jeito de falar manso, a voz rouca. Inteligente, apesar de quase sempre, se negar a acreditar nisso quando diziam. Seu nome? Marcos. 

Voltando...

Por uma fração de segundos, um suspiro cortou o ar, um suspiro quase indignado. O cigarro havia acabado e com ele se foram as brisas. Estava com preguiça demais pra se levantar e pegar outro, ou talvez, cansado demais. Chegou até a fazer um pequeno esforço para se levantar, mas foi em vão, a cama e os lençóis o puxaram de volta.

O 'cheiro de amor', como ele gostava de chamar, inundava o quarto e aquilo era mais viciante que qualquer tipo de droga. 

Uma curiosidade ao seu respeito: Ele sempre acreditava nas coisas que inventava e, pelo visto, os outros também acreditavam nelas...

Ficou analisando a música que tocava ao fundo, na vitrola, ainda era Pink Floyd. Sorriu por alguns instantes. Sabe-se-lá o que ele pensou.

De repente, uma voz de mulher adentrou todo aquele ambiente...A música tornou-se quase imperceptível na presença dela. Disse:

-Amor, voltei. (um sorriso tomou-lhe a face)

Retribuindo o sorriso, ele disse apenas:

-Vem cá.

Os dois ficaram ali, parados, deitados, abraçados...Sentiam que estavam no lugar certo.

E eu sei disso tudo, porque estava ali também. Observava tudo com a maestria de alguém que se esconde atrás da porta.

(Tamires Alci)

5 comentários:

Marcos "Tinguah" Vinícius disse...

Realmente muito bom o texto, sem palavras até...
Bem escrito, e passa uma idéia de realidade sem par. Como se até mesmo os próprios leitores estivessem por lá tambem...

Parabéns amor, continue assim ok?
Teus textos são ótimos!

Francorebel disse...

E se ele pintasse por nós... seria numa tela em cores?

Arash Gitzcam disse...

Tb curti o texto... que ele fume por nós... e quem não curte um momento de amor na cama?

B. disse...

Gostei da maneira como você utilizou o artifício de narrador-personagem. A forma como no início descreveu o protagonista, intrigando o leitor, por conhecer Marcos, tão a fundo. E o desfecho, como quando você revelou que estava observando-os. Muito inteligente.

Arianne Barromeu disse...

Moça, já estou ficando viciada em seus contos urbanos. O mais engraçado é que o penúltimo foi o meu nome e esse agora é o nome do cara que quero esquecer. hahaha Parabéns pelo conto, como sempre, surpreendente e gostoso de ler.

Ah, e claro que pode colocar nos favoritos. Fico honrada. (:

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