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quarta-feira, dezembro 05, 2012

CONTOS URBANOS - O NATAL DE ALINE

"Fim de mês
Fim de calendário
Fim de ano
O relógio tá meio atrasado
Mas ainda tá funcionando."

Aline olhou mais uma vez para as paredes, suspirou, quase chorou...Estava toda arrumada quando Carlos ligou e terminou o noivado com mais de 4 anos. "É natal" - Pensou ela, ninguém pode fazer uma coisa dessas no natal. 

Ligou e desligou a Tv umas cinco vezes, passeou pelos canais sem prestar atenção alguma. Exceto na Globo, claro, ela nem precisava prestar atenção pra saber que estava sendo exibido o especial com Roberto Carlos. 

Carlos...Carlos...Carlos. 

"Pelo amor de Deus, eu não vou ficar parada aqui, assistindo isso"

Desligou a Tv. Ligou o rádio e o que tocava?

-Novamente, Roberto Carlos.

É engraçado que quando a gente evita pensar em uma coisa, ela sempre procura um jeito de nos perturbar. Isso pode ser só impressão minha ou pode ser que não.

Na Tv, no rádio, jornal...Até nas nuvens. Dependendo da criatividade de cada um.

Foi a cozinha, bebeu um copo de vinho e fez sua ceia sozinha. Pra descansar foi até a varanda, estava muito quente. Olhou para os pisca-piscas entrelaçados e brilhantes e ouviu um coro de crianças cantando essas músicas natalinas.

Ficou ali durante uns cinco minutos acompanhando mentalmente as canções.  Levantou-se e decidiu ir ao orfanato que ficava no fim da rua.

Chegando lá foi acolhida com abraços e beijos das crianças. Estavam todas arrumadinhas, lindas mesmo. Simples, claro. Porém lindas. Todas, sem exceção tinham um brilho no olhar que Aline não via há tempos, nem em si mesma. Alguns dos menores tinham aqueles sorrisinhos banguelas quando alguém falava do Papai Noel e seus presentes.

Ficou ali por algumas horas brincando e contando histórias. Quando estava indo embora uma das crianças chamou-a num canto. Entregando uma pequena caixa disse:

-Moça, eu não sei quem você é. Mas acho que devo te entregar isso. Olha, não abre agora. Abre quando você chegar em casa e toda vez que se sentir triste. Não repara se tiver meio feio, é porque eu fiz agora.

Deu um beijo e se despediu.

Aline foi andando curiosa até em casa. Trocando passos e pensando no que poderia haver dentro daquela caixinha.

Chegou, tirou os chinelos e pôs a caixa sobre a mesa. Tomou um banho e preparou-se para deitar. Por algum motivo ainda não tinha aberto o presente.

Carregou a caixinha até o quarto e pôs agora sobre a cama. Recostou-se e de repente lembrou do havia acontecido. Sentiu vontade de chorar mais uma vez, porém resolveu abrir aquele humilde presente.

Primeiro olhou por fora. Haviam uns corações tortinhos feitos com canetinha vermelha e algumas tentativas de desenhar estrelas. Sorria para si mesma e sorria para a caixa.

Finalmente ela a abriu. Não havia nada além de um papelzinho dobrado.

Franziu as sobrancelhas num ar duvidoso e retirou delicadamente o papel da caixinha e nele estava escrito "AMOR". 

Nesse momento, ela sorriu entre lágrimas e percebeu que uma criança sempre sabe do que precisamos. Nós já perdemos a inocência, eles não.

Aline viu que por mais desencontros e problemas que a gente passe, sempre vai haver alguém pra estender a mão. Basta querer.

(Tamires Alci)

1 comentários:

Marcos "Tinguah" Vinícius disse...

- É verdade amor. E ainda aproveito para tecer algumas linhas a respeito disso.
Acho que a infelicidade, é "coisa de gente grande", gente que tem muito com o que se preocupar e não tem tempo pra ser feliz.
Enquanto que a felicidade, o dom de ser feliz, pertence aqueles que mesmo tendo mais idade, não perderam o brilho no olhar e a vontade de ser feliz.

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