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quarta-feira, maio 30, 2012

CAMINHOS

A vida tem seus caminhos
Que se cruzam
E se desencontram
Que podem dar no mesmo lugar
Que podem até desembocar no mar.


Caminhos com defeitos
Passos tortos
Passos curtos
Num curto espaço de tempo.


Eu prefiro os defeitos
E que me desculpem os perfeitos
Vou dizer uma sinceridade pra vocês:
A perfeição é infeliz
É infeliz por desejar sempre mais
Por não se contentar
E sempre se achar incapaz.


A perfeição beira à loucura
A ânsia de não ter
Eu quase me contento em não ser
Em quem sabe nem existir pra descrever.


Eu ando por estradas longas
De barro
Com árvores e pedras no caminho
Porque mesmo que eu esteja solitário
Eu nunca estarei sozinho.


Eu ando devagar
Sem pressa de chegar
Eu sento e admiro a paisagem
E deixo o vento me abanar.


Os meus cabelos eu deixo a grama beijar
A minha pele a luz do sol pode tocar
Eu me confundo tanto comigo
Que já nem sei ser mais eu
Então eu deixo ser quem está.


E assim eu continuo caminhando devagar...


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Não Olhe Pra Trás - Capital Inicial


quarta-feira, maio 23, 2012

UMA CONVERSA MAIS QUE NORMAL

- Vou fazer um Dreadlock gigante e pintar o céu de vermelho.
No meio de tudo isso, eu vou fazer uma aquarela com todas as cores que conheço e as que não conheço e repintar as coisas que eu vejo preto e branco.


-Cara, não gosto de vermelho é muito libidinoso, deixa eu ver, prefiro roxo...um tanto sugestivo. Quer vinho de morango?

- Serve roxo, eu também gosto.

-Sabe semana passada? então eu tava pensando em ir de trem praquela montanha que tem lá perto de casa, eu sei que é perto, mas eu gosto de trens, se quiser pode vir comigo, e pode chamar mais algumas pessoas...

-Mas, iremos sim. Iremos e levaremos vinhos de morango, meia dúzia de gatos pingados e faremos uma fogueira. álcool não falta. De lá fica melhor pra pintar o céu. E nem precisa levar mochila cheia... Basta levar o corpo. Deixe as bagagens em casa, e os canibais na sala de jantar.

-A gente podia cortar o meu cabelo e fazer pincéis mais reais. Os canibais...ah eles dão tanto trabalho, vão ter destruído a casa quando voltarmos. Ah, lembrei agora: eu achei aquele caderno verde seu, que você tinha escrito umas coisas pra alguém, calma, tá aqui na mochila, deixa eu pegar...Ih, eu devo ter tirado daqui, depois eu levo.

-E quanto aos canibais... No final de tudo eles se devoram. Meu caderno verde! Onde estava? Acho que deixei embaixo do fogão, ou da cama. Sei que acho que talvez deixei embaixo de algum lugar. E leve sim, ali naquele caderno está a minha vida. E essa é a metáfora da minha existência. Deixei a minha vida por baixo muitas vezes... Mas, hoje, lá no alto da montanha ela será minha outra vez! E você fez isso!Muito obrigado, de verdade mesmo!

-Você é meio esquisito cara, deixa pra lá esse papo de agradecer, sabe que entre nós esse negócio nunca valeu né?!. E essa parada de existência, porra cara você já tá alto essa hora da madrugada? Acho que ainda são cinco da tarde...Tá na hora do chá.

Ela preparava o chá enquanto olhava o relógio, ele, olhava distraído pra algum lugar, sempre foi assim, se distraia por qualquer motivo, à essa altura devia ser o tic-tac do relógio.

-Acho que seu caderno estava sim embaixo de algum lugar, caiu quando eu tava mexendo numa pilha de livros, porquê você escondeu? Um gnomo perguntou por você ontem enquanto eu fumava algo, tava falando com ele pelo telefone e depois apareceram mais uns cinco querendo saber de você... Eles bagunçaram a sala toda.

-Cinco gnomos? Céus, onde estava com a cabeça! Me esqueci completamente. Tinha marcado com eles pra eles me levarem até o final do arco-íris. Mas, acho que no dia eu não apareci. Sei lá, não me lembro muito daqueles tempos...A gente faz o seguinte. Bota eles no trem pra montanha e eles vão com a gente. No caminho a gente canta umas músicas psicodélicas e eu peço desculpas.

-Feito. Vou ligar pra Janis, eu gosto daquelas roupas coloridas e dos óculos grandes.








-Ei, ei, o trem tá chegando, que horas são?
-Hora do agora.
-Okay, vamos embora?
-Vamos, vamos Janis?
-Acho que sim...
-Acha não, entra logo nessa porra.
-Vamos, vamos, vamos.
-Ei ei, maquinista, acho que não tem trilhos pra lá, a gente não se importa de ir voando tá?

•Ouvindo Agora: In The Flesh - Pink Floyd

Por Marcos Vinicius e Tamires.

terça-feira, maio 22, 2012

NO MEIO DO CAMINHO

Botou umas roupas na mochila, pegou as chaves do calhambeque de seu pai e foi, sem dar a menor explicação à ninguém, ninguém se importava mesmo.

À caminho de algum lugar deu carona pra um amigo da faculdade, aquele tal de Willie Nelson que cantava umas músicas de dor de corno, era engraçado o tal Willy, ele sempre teve essas ideias de sofrer por amor, dar valor ao amor e sempre quebrou a cara, acabava fazendo suas músicas assim, entre um copo de vinho e um adeus. 

Sarah gostava muito dele, isso ela não podia negar, eram amigos há anos, então era a única pessoa que queria levar consigo, mesmo não sabendo pra onde ia, mesmo não sabendo se um dia ia voltar. Passaram uns três dias dentro do carro, a maior parte era silêncio...E quando digo silêncio, são aqueles tipos de silêncio que duram mais de duas horas. Willy ficava com um caderno velho, escrevendo ali suas dores, remoendo seus pecados. Ele tinha olhos azuis, uma cor de azul diferente, era quase transparente. Era um cara caladão mesmo, tinha barba mal-feita e cabelos longos e loiros, seu olhar era mais velho que seu caderno.

Sarah, ah essa era a peste...Nunca ouviu nada sem ficar calada, sempre tinha resposta pra tudo, mesmo que a resposta fosse um curto e grosso: "Vá tomar no cú". Não tem muito o que falar da Sarah, e ela também não gosta que falem.

Enfim...

Depois desses três dias, entre postos de gasolina e acostamentos, Willy finalmente deu sinal de vida, tirou um cd da mochila, era um bem velho e acabado do Legião Urbana e disse: -Põe essa porra pra tocar, não aguento mais esse silêncio.

E assim fizeram...

Entre uma música e outra encontraram um guri na estrada, pedindo carona. Acho que ainda tinha lugar no carro. Ele entrou. Tinha uma mochila suja que chamava de Jacira e não sei porquê o rosto dele lembrava a Lady GaGa. Ah foda-se.

Depois de mais algumas músicas, Sarah se sentiu sem destino, disse que não sabia pra onde ir. O guri falou que queria transar...Com Sarah e Willy. Ele não durou muito tempo depois disso. Ela o tirou do carro debaixo de pontapés e palavrões escrachados. Eu me lembro que a última coisa que ela disse, foi algo do tipo: -Vá transar com a puta da sua vó, aquela piranha que num devia ter colocado nem a sua mãe no mundo, seu vagabundo...E a porra da mochila fica com a gente!

Willy foi fuxicar a tal Jacira, tinha nada de bom: Uns cigarros meio amassados, camisinhas (embora parecesse que ele não gostava de usar), umas roupas sujas, unhas postiças, uns fungos esquisitos e um livro...Acho que era aquele tal Apanhador no Campo de Centeio. O livro, Sarah tomou das mãos de Willy e jogou pela janela dizendo: -Esse cara já pegou carona comigo uma vez, ele tem problemas demais...

Angra dos Reis tocava no rádio...E decidiram assim que era pra lá que iriam, e foram, continuaram seguindo a estrada e as histórias malucas, eles encontraram uma garota quando chegaram lá, ela usava um vestido branco que estava sempre balançando e um batom vermelho...Mas essa vai ficar pra quando sobrar espaço.

segunda-feira, maio 21, 2012

EU SOBRE EU MESMA, DISCUTINDO COMIGO

Eu estive observando você
Por muitas vezes
Por muito tempo.


Eu sei coisas que ninguém sabe
E você sabe disso
Acho que você não se sente bem com isso
Mas eu vou tentar não contar seus segredos pra ninguém.


Algumas vezes eu estava dentro do trem
Com você
Algumas vezes apenas do seu lado
Mas nossos encontros mais comuns são quando você sofre
Quando você chora
Você grita
E implora
Eu sempre venho à teu socorro, eu sou mesmo uma idiota
Depois você vai embora
Me ignora
E finge que nada aconteceu.


Você vê TV ao mesmo tempo que eu
Você gosta dos mesmos filmes que eu
Você sabe as mesmas coisas que eu
Você odeia as mesmas pessoas que eu
Só que você não entende
Que você sou eu.


Eu me revolto com você
Porque você me prende no seu corpo
E me aprisiona nas suas ideias
Nós pensamos diferentes
E talvez eu até seja melhor do que você.


-Ei, não fala assim comigo!


Porra, eu falo do jeito que eu quiser
Tá vendo como você é fresca
Olha só como você é.


Eu detesto o jeito que você bebe refrigerante mordendo o canudo
Pronto, FALEI!


Olha, eu só te observo pela janela
Faça sol ou faça chuva
E você é minha sombra
Você me assombra.


•Ouvindo Agora: Anacrônico - Pitty


(Tamires Alci)

quarta-feira, maio 16, 2012

MAL COMPREENDIDO

Eu estive sentado aqui
No corredor do seu apartamento
Eu tinha algumas rosas pra você
Eu tinha algum sentimento.


Eu tentei te ligar
Gritar
Chamar
Mas você não me ouviu
Sua raiva tampou seus ouvidos.


Eu chorei
Você pensa que homens não choram, não é mesmo?!
Eu chorei
Eu disse que estaria aqui
E eu estive
Mas você já não precisava mais de mim.


Enquanto eu encho um copo de whisky
Me pergunto o que eu fiz de tão errado pra você
Pra nunca mais poder ouvir sua voz
Pra nunca mais ao seu lado estar.


Bom, se você morasse em uma casa
Talvez as rosas ainda estariam lá
Bem onde eu as deixei
Mas eu acho que a faxineira as tirou.


Não sei se você leu o bilhete que deixei embaixo da sua porta
Estava tão linda aquela noite
E de repente
Tudo acabou.


E agora, é como se nada pudesse atravessar a sua mente
E evitasse disso acontecer
Eu só queria mesmo
Com todas as minhas forças
dizer...
Eu amo você.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Misunderstood - Bon Jovi

terça-feira, maio 15, 2012

MORANGOS SANGRENTOS

Morangos que sangram
São os mesmos que voam
Aqueles que estavam no campo das macieiras.


Você me disse que gosta de morangos
Eles parecem me olhar
Se lembra do sorvete?
Acho que tinha um gosto bom
Mas eu não curto tomar sorvete
Queima a língua.


Lembra de quando nós passeávamos de mãos dadas
Pelos campos de maçã?
A gente levava nossos morangos sangrentos para lá
Pra ver o sol se pôr
E depois a cidade atravessar
Algumas vezes nevava e tudo ficava branco
As árvores, o chão, os casacos...Menos as nossas bocas
Parecíamos de algum modo vampiros.


Vampiros sedentos por aquele doce sabor
Aquele doce saber
Ninguém sabia
Mas nós roubávamos algumas maçãs.


Certa vez, meu joelho ficou preso no arame farpado
Seus olhos se enxeram d'água
E você foi embora
Não me ajudou
Estava doendo, mas eu consegui me soltar
E comi o resto dos morangos sozinha...


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Strawberry Fields Forever - The Beatles



segunda-feira, maio 14, 2012

IMAGINAÇÃO

Vamos dançar na chuva
Como fizemos na semana...
Calma, acho que não fizemos isso...


Vou pintar seu rosto em um quadro
E você vai ter olhos grandes
Bem diferentes dos seus
A gente vai rir
Principalmente quando os meus cabelos estiverem emaranhados
E tiver tinta verde em nossos rostos
Teremos um beijo intergalático
Assim que você me chamar de ET.


Dentro do seu carro imaginário
Ira tocar Crazy
E nós vamos cantar juntos
Como fizemos milhares de vezes.


Quando chegarmos em casa
O mundo pode desabar
Estaremos na nossa cama
Arrancando nossas roupas
Nos amando
Nos fazendo amar.


E assim seria
Se não fosse a minha imaginação
Que escreve versos num papel
Que pinta um telhado de vidro com o azul do céu.


Mais uma vez te digo
Vai ficar tudo bem.


Em alguma outra vida
Irá ficar tudo bem
Eu não perderei você
E mais ninguém.


Eu vou juntar os pedaços do meu coração
E nunca mais irei sangrar.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: That One That Got Away - Katy Perry

NÃO SEI QUE NOME DEVO DAR À ISTO

É, está chovendo agora
Tudo bem, eu não me importo
Bem, eu já não me importo com muita coisa, não é mesmo?!


Tem macarrão na panela
E feijão no congelador
Antes de comer
Cheire tudo
Pra ver se não azedou.


Tanta coisa tem ficado azeda
Do café
Ao coração
Chocolate meio amargo
Suco de limão.


Sua toalha tá no banheiro
Tem um prendedor dentro do armário
Na parte do espelho
Pro seu cabelo
Tem roupas suas em cima da cadeira do computador
Se vira por ai mesmo.


Tem um recado pra você dentro do caderno
Aquele da capa vermelha
Os ingressos do cinema
Talvez ainda sejam importantes pra você.


Eu fui embora
A egocêntrica se foi
E vou deixar meu temperamento bem longe de você
Já que não consegue mais me suportar
Um beijo
Obrigada por me amar.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: That One That Got Away - Katy Perry

domingo, maio 13, 2012

CAIXINHA DE MÚSICA

Não consigo dormir 
Mas e daí?
Quem se importa com isso
Aliás eu tive um pesadelo
Mas não importa também.


Não sei se vou estar aqui por muito tempo
Não sei nem se vou estar
Que tal você pensar um pouco sobre isso também?


Eu não sou mesmo alguém que importe
Mas isso já é besteira da minha parte, não é mesmo?


Você diz que nada é definitivo
Alguma canção me diz também que
"Na verdade nada, é uma palavra esperando tradução"


Tudo bem 
Na caixinha de músicas que você me deu
A canção sempre para de tocar
Por mais que se dê corda
Sempre vai acabar
E um dia, vai deixar de funcionar
De uma vez.


Tava escrito...
"Eu amo você"


Porquê?


•Ouvindo Agora: With Or Without You - U2

sábado, maio 12, 2012

PALAVRAS

De certo e sem dúvidas o que mais me preocupa são as palavras
Que saem das bocas
Que caem dos livros
Que correm soltas.


O que dizem, nunca são o que querem dizer
O que interpretam, o que significam
O que talvez, até venha de você.


São como flechas
Com um destino
Mas com o vento
Podem deixar de ser certeiras.


Pode ser aqui, pode ser hoje
Pode não ser daqui a um milênio.


Isso é uma coisa torta
Como todas as coisas que saem da sua cabeça
Seus reflexos inativos
Seu filme de terror
Eu nunca te disse
Mas sua blusa de bolinhas 
Tem um ar meio retrô.


Sabe aquele copo, que ficou em cima da mesa?
Tinha umas baratas bebendo o resto de vinho
Eu não gostei disso
Quebrei o copo
Cortei meu dedo
E agora, está sangrando
Um coração.


Tinha também uma sandália velha lá fora
Perto da cadeira de balanço
Um salto quebrado
Na geladeira, um recado
Cometa seus próprios erros
Mas não morra de seus próprios pecados.


•Ouvindo Agora: It Will Rain - Bruno Mars


(Tamires Alci)

sexta-feira, maio 11, 2012

ARRISCAR

Não
Nem é tão simples assim
Mas não é tão complicado como as coisas na sua cabeça.


Eu me perco ao longe
Eu me perco até de perto
E até quando você me olha
Eu posso ter um ar meio incerto.


Não é bem o dia que está bonito
São as pessoas que o vêem assim
Eu gosto do sol
Mas não gosto de me expor
Eu gosto de observar
Mas não gosto do seu calor.


É uma opinião
Como outras várias 
Que por vezes deixei escapar 
Em pensamentos altos
Ou do lado de uma birita
Na mesa do bar.


No relógio são quase seis
Eu paro por um tempo
Na minha cabeça não passou das três
E nem passou aquele nosso momento.


Somos jovens ainda
E não temos mesmo nada a perder
O que eu quero
O que você quer
Em um minuto 
Pode ser que se vá
Mas nas suas memórias
De nada irá se afastar.


E é isso
Eu nem gosto muito de pensar
Me bate uma incerteza
Um desânimo
Às vezes até um mal-estar.


Mas eu lembro que nunca arrisquei
E se não arriscar
Não saberei
Então fico aqui
E escrevo esses versos pra você
Que como eu
Não sabe bem o que significam.


Lembre-se: "Uma Vida, só uma"


•Ouvindo Agora:One - U2


(Tamires Alci)

terça-feira, maio 01, 2012

Frio

Não posso dizer que sinto frio
Aliás não posso dizer nada
Meu pensamento está vazio
E minha mente, tanto quanto a janela
Estão embaçadas.


O sofá parece acolhedor
Na mesa de centro uma revista de pesquisas
Sobre algum egocêntrico doutor
Que não descobre a cura do câncer
Nem de sua própria dor.


E é assim
A chuva está caindo
E o traço de audiência das emissoras continua subindo
Eu não sei bem o que dizer
Talvez essas frases nem sejam sobre mim
Talvez sejam sobre você
Talvez sejam sobre um ET.


Eu não posso acreditar
Não é real o que você me disse
Ontem quando o telefone tocou
Eu me assustei
Confesso que me espantei
Não esperava que você ligasse
Nem mais que você se importasse.


Então é apenas isso
Está frio lá fora
E eu não vou sair
Vou tomar um café
E tentar me distrair


•Ouvindo Agora: Broken - Seether Ft. Amy Lee
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