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sábado, junho 30, 2012

QUE LUGAR É ESTE?

Vem cá
Chegue mais perto
Não precisa temer
Tá frio ai fora
E não quero mais ver você tremer.


Eu não tenho muito
Apenas o suficiente para mim
Não esperava pela sua visita
Assim, tão de repente.


Você se foi há pouco
E já voltou
Senti sua falta
Mas meu coração já perdoou.


Sente-se ai
Não repara a bagunça
Eu tenho muitas coisas ainda pra organizar
A última pessoa que veio aqui
Foi embora e nem me ajudou a arrumar.


Não repare também meus trajes
Eles são simples, afinal eu estou em casa
Não preciso do meu sorriso de onça agora
Vou deixar isso pra mais tarde, ou para o mundo lá fora.


Espero que não pise em nenhuma poça por ai
A casa tem tido algumas goteiras
E tem chovido bastante esses últimos dias
A vizinha de cima não para de jogar água pelas janelas
Mas ela é sempre assim...Escuta uma música, duas e fica jogando essa água
Não sei porquê.


Então, esses curativos são do meu filho
Ele sempre se machuca
E mãe que é mãe, tem que ser prevenida.


O senhor aceita uma água ou um café?
*Senhor não, és muito jovem para tal termo de tratamento, deixa eu me refazer:*
Você aceita uma água ou um café?
Eu tenho chocolates e vinho
Faço até cafuné.


O seu quarto é esse aqui
Espero que não faça nenhuma bagunça
O aluguel será cobrado diariamente
Tem que fazer por merecer morar neste lugar.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Segredos - Frejat




sexta-feira, junho 29, 2012

ELA

Dentro de um ônibus qualquer, havia uma garota. Não era tão bonita, nem parecia ser tão legal, a julgar pelo seu rosto, parecia mesmo se sentir mal.

Ela olhava pela janela buscando alguma coisa que nem ela mesma sabia dizer, talvez eu esteja errado, talvez eu tenha tido uma impressão estranha, apenas. Tinha cabelos longos, de uma cor não tão escura...Seus olhos sim, esses eram negros feito véu de viúva, profundos, amargos. Por algumas vezes durante a viagem, ela tentou esconder seus olhos, puxando a atenção para um leve sorriso. Ela não me enganou nem por um segundo, talvez eu já esteja experiente demais em reconhecer a dor alheia.

Usava seus fones de ouvido, não sei o que ouvia, mas era algo que mexia muito com ela. Vi lágrimas que brotavam no canto de seus olhos, ela lutou demais pra não deixá-las cair, mas assim como eu, ela não conseguia fingir. Estava frio, todos no ônibus com os seus casacos e aliás, quase todos dormiam, menos eu, e ela, que olhava perenemente pela janela.

O mais engraçado de tudo é que parecia haver mais frio dentro dela do que em todo o ambiente que nos cercava.

Ela é um ser estranho, acabei de chegar à essa conclusão, estou a observando por mais de duas horas e não consigo ver nada além de sua frieza, ela infelizmente está mergulhada na sua solidão. Ela não se importou nem um pouco em conversar com ninguém, não disse uma palavra se quer.

É como se eu pudesse ler sua mente. Ela queria que todos sumissem, na verdade não, ela queria mesmo que todos morressem. Nunca fez muita questão dos seres humanos, pessoas só se afogam nas suas próprias discórdias...Mas afinal, ela também era assim, ela também era humana (eu acho), e não sabia se odiava mais as outras pessoas ou à si mesma.

Os olhos dela me lembravam a morte, mas eu já falei dos olhos dela.

Com certeza, foi uma das pessoas que mais me impressionou em toda a minha vida, apesar de não ter a ouvido dizer uma palavra. Seu rosto era sereno, como de alguém que espera seu próprio fim, sem questionar, sem duvidar.

Quase ao fim da viagem, uma lágrima finalmente caiu de seus olhos, enxugou-a prontamente e olhou ao redor, pra se certificar de que ninguém havia visto tal ato de fraqueza, foi quando ela me viu e percebeu que escrevia em meu caderno sobre ela. Não disse uma palavra, não esboçou nenhuma reação, apenas olhou-me como quem diz:

-Não conte isso pra ninguém.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: La Solitudine - Renato Russo

segunda-feira, junho 25, 2012

MAIS LEVE QUE O VENTO

Eu parei
Parece que a vida foi e eu fiquei
Eu não desisti
Ainda...


Mas a cada novo passo
É um novo buraco
Um novo espinho.


Breves sorrisos
Breves momentos felizes
Que tentam curar as minhas dores
Que tentam fechar as minhas cicatrizes.


Eu não sei bem o que dizer
Mas digo que estou à um ponto de desistir
Ou de mandar todo mundo ir se foder.


Eu não sei nem mais de mim
Não espere que eu queira saber de você
Não espere que eu pregue suas fotografias
No muro de gelo que criou entre nós.


Não espere de mim o que eu não posso ser
O que eu não posso oferecer
Aliás, não espere nada mesmo
Porque apesar de não ter desistido
Eu desacreditei.


Mas o mundo dá voltas
E eu sei que um dia isso tudo vai mudar
Só não pense que eu vou ficar aqui esperando
Para sempre no mesmo lugar.


Bom, o que eu tinha pra dizer
Já foi dito
Entre as paredes do meu quarto
Ou na margem de um rio bonito.


Eu chorei
E não me envergonho
Eu acreditei
Eu lutei
Eu tentei
Eu tive um sonho.


Não me diga o que fazer
E não me diga também que isso vai passar
Eu sei que vai
Mas tudo tem sua hora e seu momento
Tudo o que é mais pesado que o céu
E mais leve que o vento.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Olhos Certos - Detonautas

sábado, junho 23, 2012

QUANTO TEMPO MESMO?

Tudo o que é perfeito
Tem seus defeitos
As suas confusões e culpas
Entre mil olhares
Um pedido de desculpa.


Nós dois estamos aqui
Parados no mesmo lugar
Na mesma praia
Com os mesmos medos
E sob o mesmo luar.


Olhe só, algum tempo já passou
A brisa do mar e algumas lembranças
Foi tudo o que restou
Tudo o que o vento não me arrancou.


Agora espere um pouco
Ainda somos os mesmos
Ainda falamos da mesma forma
Usamos as mesmas roupas
Temos nossos trejeitos e manias
Mas somos estranhos
Procurando algum novo lugar para ir
No meio da noite, vagando
Apenas querendo se distrair.


E lá se vão dois copos
E lá vem um peso na consciência
Um sorriso meio amargo.


Na mesa ao lado
Um casal de namorados
Na outra cadeira
Uma ausência.


E lá nos vamos
Nos perdendo por aqui
E por ali
Arrumando meia dúzia de amigos
Pra tentar se divertir.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Pumped Up Kicks - The Kooks

domingo, junho 10, 2012

O MEU COWBOY ALIENÍGENA

Eu calcei minhas botas de cowboy hoje
Tenho uma mala na mão esquerda
Mas vou deixá-la aqui, perto da porta.


Eu pus um chapéu preto
Que tinha uma espécie de pena verde
Eu fiquei parecendo um duende semi-bêbado
Tinha umas coisas na minha mochila
Eu fui embora.


Eu fui embora ontem
Mas talvez você só tenha percebido isso hoje
Me lembro de ser você quem estava lá na porta me dando "adeus"
Mas hoje você me ligou e disse que não se lembra de nada disso...


O que eu quero?
Nada.
Nada mais
Nada demais
Nem voltar atrás.


Eu estive aqui por muito tempo
De chinelos e bermuda
E você nem notou
Mas quando eu pus meu cigarro na boca, você sentiu o cheiro e reclamou.


Não tenho muito o que dizer
Então não espere muitos comentários acerca de mim
Eu não ando por aí dando satisfações da minha vida
Então, se contente
Caro amigo descontente.


Pega aí
Eu ainda trouxe uma estrela pra você
Me lembro que adorava olhá-las
Você pode botar no topo da sua árvore de natal agora.


Então, deixe-me te contar algo:
"Há muito tempo atrás alguém nasceu e nasceu para caminhar sozinho por longos anos, por várias estradas, por diversos caminhos e atalhos, esse alguém se acostumou com a solidão..."
Talvez seja eu
Mas vou te dizer mais algumas coisas:
"Eu não vou andar sozinho o tempo todo"
Venha, se quiser ainda pode me seguir.


Tem um gato deitado na cama
São três horas da tarde
Tá escuro e frio
E não tem ninguém na cidade
Eu vou pegar meu carro, meu gato, minhas botas
E ir embora.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Starman - David Bowie


quinta-feira, junho 07, 2012

SOU DESSAS

Sou dessas que você vê por aí
Andando debaixo da chuva
Pulando as poças d'água
Com mãos vazias
E um coração pequeno.


Sou dessas que detesta um dia nublado
Eu detesto o meio termo
O mais ou menos
Pra mim é sim ou não
Ou vai ou fica aqui comigo.


Não, esse não é um poema com rimas
Nem tem a intenção de ser
Meu cérebro tá com preguiça demais
Pra tentar agradar você.


Então apenas diga o seu nome
E me diga qual vai ser
Se vai ficar aqui
Ou se vai deixar morrer.


Engraçado o seu pensar
Engraçado o meu pensar
Aliás tudo em mim é meio bobo
Meio azarado
Mas tem uma simplicidade incrível
Porque eu posso fingir que estou bem
Mas quando você me ver sorrindo
É de verdade.


Eu não gosto de dizer certas coisas
Então não espere que eu seja má
Mas não espere que eu pare no meio do meu caminho
Só pra te ajudar.


Eu sou um tipo esquisito de ser
De tentar ser, na verdade
Eu sou quase altruísta
Mas fique atento
E lembre-se 
Não confundir altruísta com idiota
Tá quase terminando a cachaça e eu não tenho mais uma nota.


Vou ficar por aqui
E se quiser, fique você também
Por aqui
Por ai
A gente se encontra.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: À Flor da Pele - Zeca Baleiro

terça-feira, junho 05, 2012

DE CERTO

De certo não tenho as melhores palavras do mundo
Talvez eu nem tenha aquelas que você quer ouvir
É fato que não sou alguém tão bacana assim
Mas talvez eu possa te fazer sorrir.


É simples
Eu não tenho muita coisa
Elas também não me tem
Talvez eu tenha só um bom coração
Que sabe apenas um bom papo...


Eu me deixei passar
E não corro mais
Não quero mais
Não morro mais.


É assim que a gente cresce
De pouco
De muito 
De tombo
Feito bicho solto.


A gente conversa
O assunto some
E a gente desconversa
Na pressa
Sem pressa
Ligeira, faceira
Tudo na mais pura tranquilidade
Na beira do mar
Com os cabelos soltos
E asas prontas pra voar.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora:What's Up - 4 Non Blondies




segunda-feira, junho 04, 2012

DESABAFEI

Quer saber? Quer mesmo saber? 

EU ME CANSEI!

Tá ai então a minha mais pura verdade, a minha sinceridade pra você ou pra mim, ou pra quem quer que seja. Eu cansei. Cansei de ter sonhos roubados, de chorar embaixo do chuveiro, de andar descalça e me machucar. Cansei das escadas rolantes e de todos os seus alto-falantes, inventando desculpas, me dizendo o que não era preciso dizer. Eu cansei de sentir falta de alguém, de ninguém, de você e de mim, quem sabe até de nós. Eu tô fodida, é eu sei, mas quanto à isso, ninguém tem nada a ver, porque, afinal, eu sempre digo "está tudo bem". E se não está agora, vai ficar...Porque eu cansei, mas não desisti. Desistir é uma opção que convém aos fracos e eu sou forte o suficiente pra ser mulher, pra botar um filho no mundo, porque e por quem eu desistiria? Te digo: NINGUÉM.

Ninguém merece que você desista, nem você mesmo. Você não tem essa opção, se você desistir ou você se mata ou fica num quarto chorando o resto da vida. E isso eu não vou fazer. Doa o quanto doer, doa a quem doer. Afinal, mesmo com tanta dor, eu ainda sou eu, você ainda é você e as coisas vão continuar sendo as mesmas: os mesmos lugares, as mesmas ruas, as mesmas pessoas, os mesmos amigos, a novela ainda tá passando na tv, a música ainda toca no rádio, é tudo o mesmo. E então porquê desistir?

Por que não olhar pra frente e imaginar um futuro maravilhoso, por que não levantar, dar um passo de cada vez e ir fazendo as coisas acontecerem? Porquê ao invés de chorar você não experimenta colocar um sorriso no rosto de alguém, seja lá quem for.

Pra quê perder as esperanças se tudo na vida é mutável, se nada dura pra sempre...Nem o bem, nem o mal.
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