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terça-feira, julho 31, 2012

LIZ

Uma segunda-feira
Uma segunda-feira Blues*
Uma cerveja
Um bar
Uma boa companhia
Muito assunto
Muita coisa pra falar.


Cordas de violão vibrando
Músicas espanholas no ar
Ciganas com suas saias enormes
Se põem a dançar.


E eu vou ensaiando rimas na minha cabeça
Rimas que irão pra um caderno
Ou uma folha qualquer
Antes que eu as esqueça.


E é aqui que moram os meus segredos
É aqui também que morrem os meus medos
Na mesa do bar
Entre um sorriso e um olhar
Entre o dizer e o pensar.


Eu paro e observo as escadas
Intrigantemente inteligente
Feito rodas
Rodas novas
Novas rodas
Covas...Daniel na cova dos leões
Uma rosa vermelha se destaca
Quando o resto do jardim são somente botões.


Um amontoado de palavras  tolas
Que essa jovem boba vos escreve
Perdoe meu mau jeito
Perdoe a indiscrição
É coisa de adolescente
Toda essa falta de educação.


Eu nem me apresentei
Meu nome é Liz
Rima com giz
E com tudo aquilo que você diz.


Me dê um livro
Um livro velho dos poemas que ainda não escreveu
Porque tudo na vida você esquece
Ou já esqueceu.


Mas as palavras...essas hão de ficar
Nos cadernos antigos, desbotados
Na última folha
Ou no bilhete das flores que eu mandei.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: A Mi Manera - Gipsy Kings


sábado, julho 28, 2012

MATEI

"Quando ela cai no sofá

So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei.."




Porque você não diz logo
Fica fazendo cara de mistério
Esse teu sorriso
Esse teu olhar
Me tiram do sério.


Porque você tá sempre comigo, 
Até mesmo quando não está?
Eu não entendo isso
O que acontece comigo
A maneira como me faz sonhar.


E eu me perco nas minhas linhas
Nas minhas letras
Nas cartas que secretamente escrevo pra ti
Nas cartas que me fazes ler pelo telefone
Nas madrugadas que fico aqui quase louca de saudade, insone.


E as músicas que são cantadas aos gritos por outros
Você canta quase silenciosamente pra mim
Um mexer de boca, afinal eu também sei a letra
Mas você faz pra eu saber
Que toda vez que escuta uma dessas
Lembra de mim e começa a se perder...Em pensamentos....Tanto quanto eu.


E agora ainda mais
Pensa no nós
Nós à sós...
Deixa eu parar por aqui que a próxima rima me lembra cama...Ok.


E dos seus abraços
Eu não sei nem dizer
E tudo que eu quero
Nesse exato momento
É você....Só você
Mais ninguém
Mais nada.


E vou me encerrar por aqui
Enquanto essa música me mata aos pouquinhos
Me iludindo feito vadias de farol
Músicas perdidas no escuro
Um beijo com gosto de bala
No meu cabelo, um girassol.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Por Que Não Eu? - Leoni e Herbert Vianna

EU?

É estou aqui.

Eu passei pra dar notícias. Não entenda como Satisfação.

Você que duvidou de mim, hoje me viu sorrindo de novo...Como foi?
Não, não quero ser irônica, é só uma curiosidade mesmo. É que eu gosto quando as pessoas se desapontam comigo, principalmente quando se desapontam por ver que eu não estou tão fodida quanto pensavam. É um prazer conhecer o que as pessoas sentem ao meu respeito. É sempre um prazer deixar um gosto amargo na boca de quem cuspiu na minha cara. Um sorriso sem pálido, amarelado, escroto. Um 'engolir seco'.

É, eu mudei de ares. Mudei algumas roupas, mudei algumas músicas, mudei de lugares à serem frequentados. Me sinto melhor, aliás, bem melhor agora. Parece que tudo começa a se acertar. Tudo começando a caminhar nos eixos de novo.

Eu escuto Leoni, e eu caio no sofá, eu estou tão longe...Eu me sinto tão bem. Eu me perco nas minhas brisas, eu me perco de mim e me pego com um sorriso. Com o pensamento em alguém. Alguém sim, não vejo problema nenhum nisso. Eu sou feita de amor, eu fui feita pro amor. Não consigo passar sequer um dia da minha vida sem amar. E assim eu vou amando...Minhas músicas, meus amigos, os lugares por onde passei ou por onde ainda passo. Os lugares onde desejo estar. E é assim. Sem demais explicações.

Eu sou simples. Uma garota normal, uma garota estranha, uma garota que tem seus medos e seus defeitos...Mas que acima de tudo sabe quem está do seu lado e quem está do lado de lá.

Uma garota que sempre vai estar ai pra superar as suas expectativas, pra cuspir na sua cara. Pode me chamar de abusada sim. Mas cada um tem o que merece de mim.


•Ouvindo Agora:Porque não eu? - Leoni e Herbert Vianna

quarta-feira, julho 25, 2012

UM RELATO SOBRE CAIPIRINHA, EU E MAIS MEIA DÚZIA DE PESSOAS

Eu toquei meu violão até meus dedos doerem. Caí no sono, caída no chão da varanda. Tive uma porção de sonhos loucos, acordei com sede. Não uma sede normal...Uma sede de sentimentos. Tomei um banho, invariavelmente quente (detesto banhos frios). Tinham alguns limões em cima da mesa, parece que me esperavam...Dei um fim à eles: Fiz uma caipirinha

Sentei no chão com um caderno e uma caneta, meia dúzia de pensamentos tolos e mais meia hora pra escrever algumas bobagens.

Finalmente voltei do 'luto'. Consegui esvaziar a cabeça...Bom, isso soaria mal se um homem tivesse escrito. Voltando: Consegui esvaziar a cabeça e o coração, tava lutando contra uns sentimentos abafados há bastante tempo. Foda-se, todos eles voltaram para o lugar de onde nunca deviam ter saído...Não me pergunte onde, só sei que se foram.

Eu não sei mais quem é você, isso é bom. Nos perdemos...E, em breve, nos encontraremos de novo. Em outros braços, outros abraços, outros beijos, outros lugares e pessoas. Digamos que eu já esteja começando a me encontrar, mas não, isso não é do seu interesse.

O gelo do copo está derretendo, está quase terminando. Até que tava bom...Até que FOI bom. Foi bom escrever essas coisas, feito um desencargo de consciência ou desconsciência...Vai saber...

Algumas músicas tocam de fundo, estou com saudades. Saudades de um outro alguém.

O sol se foi, a caipirinha acabou...Vamos continuar isso depois...Não, não, vamos deixar isso pra lá.

(Tamires Alci)

segunda-feira, julho 23, 2012

SIMPLES

Ei, você
Você mesmo
Deite-se aqui comigo
Vamos olhar para o teto e imaginar nossas estrelas
Criar nossa via-láctea.


Apague o abajur
Deixe o tempo fluir através dos ponteiros
Não se apresse.


Tem alguns bombons do lado da cama
Eu sei que você não gosta muito de chocolate
A gente podia fazer café...O que você acha?
Adoro aquele cheiro que fica pela casa inteira
Me sinto em algum daqueles filmes de comédia romântica da sessão da tarde.


Um dia escreverei um livro...


Às vezes eu divago
Mas isso é comum
São pensamentos demais
Requerem um pouco mais de atividade cerebral...Se é que me entende
Eu preciso de um filtro
102
Café forte.


Uma toalha xadrez cobre a mesa
Gosto de coisas assim...Xadrez
Damas...Gamão não, é coisa de velho.


Na tv, em todos os canais
Você
No meu quarto
Você
No meu pensamento...Nós dois e nada mais.


Sentado na beira da cama
Olhando pra mim
Queria que ficássemos assim sempre.


Risadas entre beijos
Carinhos entre abraços
Nos teus braços me encontro, me desfaço.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Só Nós Dois - Detonautas

terça-feira, julho 17, 2012

ORDEM E PROGRESSO, SUA BUNDA É UM SUCESSO

Vamos brindar à intolerância
À MINHA intolerância
Isso mesmo. EU. MEU. MINHA.

Não vou falar dos outros
Vou falar de mim.

Será que é só eu que sinto um puta desgosto ao ver Dona Rosanne na TV reclamando de sua pensão de R$ 18.000?  


Será que é só eu que fico indignada com essa merda toda que vem acontecendo no nosso país?
Vem acontecendo não...Acontece desde sempre.
Até pra um drogado isso é muito pó pra pouco nariz.

Mais de R$500 milhões para as obras no Maracanã
E aí você me pergunta: "Porque não usar esse dinheiro na educação ou na saúde pública"
E eis que em verdade vos digo:
Não se investe na educação porque é mais fácil controlar uma nação burra, isso mesmo BURRA. 
Uma nação que engole os fatos, tragédias e desgraças que passam no jornal nacional, junto com a novela das oito, ou das nove, se preferir.
É como engolir um quilo de farinha com um copo d'água.

Você vê a CPI do Cachoeira, do rio e do caralho à 4. Vê desabamentos por causa da chuva, Favelas sendo tomadas, gente virando picadinho e entrando na mala...E você faz o quê? NADA. Sabe porquê? Porque daqui a pouco começa a novela, a vingança da Nina contra a Carminha é mais interessante do que pensar à respeito do que se acabou de ver...Não é mesmo? É melhor ficar se perguntando com quem o Jorginho vai ficar do que se perguntar: "Porquê ninguém faz nada? Será que só eu penso assim?"

É bem verdade que eu também vejo a novela, vejo porque gosto sim, não vou mentir...Mas não me deixo hipnotizar pelas emissoras de TV. Meus pensamentos ainda são MEUS. Minha revolta ainda é MINHA e enquanto eu viver, vou questionar.

Agora, em resposta à segunda pergunta: "Porquê não investir R$500 milhões na saúde pública....Ahhh essa ai tem diversas explicações. Vamos à elas:

1-Pra que investir em saúde pública podendo investir nos estádios por causa da Copa? O pobre não vai gastar tanto dinheiro assim pra assistir às finais de campeonato...O negócio é impressionar os gringos, quanto mais agradável acharem, mais tempo ficam, mais dinheiro gastam...Dinheiro esse que vai pro bolso dos corruptos lá em Brasília. Engraçado que falar 'Corruptos em Brasília' é quase um pleonasmo, se não é.

2- Saúde pública de qualidade pra quê?  Se sabemos que todas as grandes empresas que vendem planos de saúde tem um dedinho de nossos governadores, deputados, seja lá o que for. Um dedinho não né, humildade minha, uma mão...Um braço. Quanto mais pessoas fizerem das tripas coração pra pagar uma droga de plano de saúde dessas empresas (que não me cabe aqui citar nomes), mais dinheiro eles continuam ganhando e mais o pobre se fode. O pobre às vezes que tem um filho com problema de coração e não pode depender desses hospitais públicos. O pobre que quase não tem comida na mesa, mas realmente precisa pagar o plano porquê a mulher tem câncer.

Isso é justo?

É justo o pobre acordar às 4 da manhã, se arrumar, pegar um trem/ônibus lotado, aturar patrão filho da puta o dia inteiro, ralar feito um condenado, chegar em casa às 9 da noite e receber R$622,00? 

Não, não é justo. Não é engraçado. É ESCROTO! Assim como todo nosso país. país que escrevo agora com letra minúscula. Sim, porque é assim que nos vêem, em letras minúsculas e diria: Minúsculas e miúdas, aquelas do fim do contrato que ninguém lê. Mas esse é o caso, se a população realmente quisesse fazer alguma coisa, essas letras minúsculas no fim do contrato poderiam foder a vida de muito político por ai.

Mas pra quê se voltar contra o sistema né? Dá muito trabalho, "não adianta nada", não vai resolver.

Ahhh mas vamos deixar tudo como está: Ainda tem Carnaval, bundas enormes rebolando na tv...Se preocupar pra quê?

Deixa os gringos virem pra cá na Copa, a gente é um povo acolhedor não é mesmo? Acolhedor com toda sorte de drogas, de bebidas e de sexo fácil e barato. 
Pais estuprando filhas, mães jogando fora seus bebês, pessoas virando picadinho, filé à milanesa...Vai saber...

Enquanto nossos bombeiros, policiais e professores dão a vida salvando, protegendo e educando. A gente dá valor aos craques do futebol que ganham quantias exorbitantemente maiores que os anteriores. Nossos heróis são aqueles que se mantém 90 minutos dentro de um campo, correndo atrás de uma bola e depois vão pras boates, fazem suas festinhas particulares e enchem a cara de bebida. Nossos heróis são esses. Não são aqueles que salvam uma criança de um incêndio, que socorrem alguém que tomou um tiro. Afinal, nem sempre eles são bonitões feito os galãs da novela das oito não é mesmo?

E depois disso tudo ainda ousam ter na sua bandeira: "Ordem e Progresso"

Lembro dos tempos da escola: "Ordem e Progresso, sua bunda é um sucesso." Isso nunca fez tanto sentido.

Nós realmente temos do que nos orgulhar né?


(Tamires Alci)

domingo, julho 15, 2012

O QUARTO NOSTÁLGICO

Okay
Sentei-me aqui, embaixo da janela do teu quarto
Encostada na parede
Adoro essas janelas antigas, de madeira
Dão um ar retrô
Ela estava fechada
Mas por algumas frestas a luz entrou.


Estamos numa meia-luz constante
Você com seus discos
E eu com uma caneta de diamante
Afinal, brincos são uma coisa que não se usa mais
Não é tão útil enfeitar as orelhas
Quando não se ouve nada.


O abajur está apagado
Parece que a gente compartilha desse gosto pela 'meia escuridão'
Pelas meias-palavras
E pela meia-solidão.


Quase não enxergo o que escrevo
Não sei se está dentro das linhas
E se não estiver, tudo bem...
Eu nunca estive dentro do padrão
Escrevo por instinto
Se fosse pra me proteger, diria apenas
"Eu também minto".


Meus olhos se perdem nas sombras
Meus olhos fechados me deixam ver um pouco mais
Entreabertos eu vejo, ordenadamente: 
Uma mesa
Uma cadeira
Uma mesinha de canto e sobre ela um maço de cigarros e meio copo de whisky
Um violão e um pôster de algum ídolo imaginário.


Ao fundo toca aquela música que eu te disse que gosto
Uma do Billy Idol
"Eyes Without A Face"
É assim que me vejo
Um ar nostálgico corre o quarto
Junto com uma linha fina da fumaça do seu cigarro.


Cantarolei por alguns segundos...na verdade, não cantarolei
Murmurei um pedaço do refrão
Você sorriu, eu não vi
Mas ouvi
Eu só via mesmo era  o led do rádio
As horas
Eram 9 da manhã, mas pareciam 3
Nem mais a folha em que eu debulhava minhas palavras, eu conseguia ver
Nos meus pensamentos, eu ouvi Raul cantando em inglês.


A porta abriu
Minha brisa acabou
O dia amanheceu
E você disse:
"-larga esse caderno, tá um dia bonito lá fora"


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora:Eyes Without A Face - Billy Idol

quinta-feira, julho 12, 2012

EU NÃO TE AMO MAIS

Eu não te amo mais.

É isso, uma frase pequena e bem fácil de entender "Eu não te amo mais". Confesso que já amei muito um dia, e achei que esse dia de eu "não te amar mais" não chegaria. Fiz planos, tive meus sonhos, compartilhei com você. Porém, agora, tudo ficou pra trás e o tempo e o vento já não importam mais. A gente se afastou, é verdade. A culpa foi nossa...Ou não. Às vezes, essas coisas simplesmente acontecem, não necessitam de um culpado, ou dois. Carrego sim, ainda um sentimento por ti. Mas preciso realmente lhe dizer que não sei o que é, não sei definir e também não sei se gostaria de saber. Talvez eu tenha posto a carroça na frente dos burros, ou talvez eu tenha puxado a carroça sozinha. Foi uma expressão feia, mas é a verdade. Ninguém pode amar por dois ou ser amado pela metade.

(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: I Don't Love You - My Chemical Romance

segunda-feira, julho 09, 2012

REABILITAÇÃO (POLITICAMENTE INCORRETO)

E teve um breve momento de 'iluminação' enquanto olhava pela janela, observando as pessoas andando feito formigas lá fora. 

Ela morava no 8º andar. Todos os dias chegava do trabalho cansada, tirava seus tênis e camiseta e preparava um café, enquanto este não ficava pronto, ela olhava sempre pela janela.

Ultimamente estava a levar uma vida de cão, tinha um fim de relacionamento na cabeça e umas lágrimas ainda por chorar. Mas ela se achava forte demais pra isso, sempre se negou à sofrer. Mal percebia que quanto mais se sufocava, mais seu sorriso ia ficando amarelo, desgastado.

É todo mundo tem problemas, os dela eram muito mais que normais. 23 anos, morava sozinha, fazia faculdade, namorava há bastante tempo...Namorava.

Ela era uma sonhadora até então, talvez a "última romântica", só pra citar Lulu Santos. Gostava da ideia daqueles filmes clichês de 'Sessão da Tarde'. Aliás, ela tinha quase certeza que uma hora, um dia, uma história dessas seria a dela.

Os pais que a amavam muito e os amigos também, alguns foram vitais pra sua 'quase reabilitação'. Não é assim que se fala quando você se desvencilha de algo que te faz mal, de uma droga? REABILITAÇÃO. Eis a palavra.

Tinha se tornado rebelde, seu cabelo, antes loiro, agora é ruivo, vermelho feito o fogo...O fogo que ardia em seus olhos, apesar de azuis. Espalhou alguns desenhos pelo corpo, em áreas que não afetassem seu empreguinho medíocre. Tinha um corvo, duas rosas, um revólver em sua perna esquerda...E uma revólver que tava apontado contra sua cabeça, engatilhado...Pronto para pintar as paredes com restos de cérebro. Não era real, mas era muito mais assustador do que se fosse. Alguns diziam que aquela porra se chamava depressão...Ela achava que não, depressão é doença de rico. Pobre enche a cara de cachaça e fica tudo certo.

Todos os dias eram iguais, chuva, sol, arco-íris...Foda-se essa merda, independente do dia, da hora do dia ou do mês era sempre igual. Como um déjàvu. Mas o que ela queria mesmo era mandar todo mundo ir tomar no cú.

Sua tristeza aumentava ou depressão...seja lá o que for. Mas quando olhava pela janela sentia-se bem, com seu sutiã de bolinhas, não tava nem aí se alguém visse. O interfone tocou, parece que um novo amor bate à porta do 817. 

A gente continua essa história uma outra hora, o café já terminou de passar, e eu tô indo lá buscar.

E o momento de 'iluminação'? Foda-se ele, talvez você só entenda quando tiver um.

Vide: "Epifania"

(Tamires Alci)

sábado, julho 07, 2012

TALVEZ

Talvez eu tenha me decepcionado tão inúmeras vezes
Que eu tenha medo de tentar
Entenda.


Talvez eu tenha me atirado várias vezes
Quando não haviam mãos para me segurar
Acalma-te.


Talvez eu tenha dito mais do que eu devia dizer
Talvez eu tenha feito mais do que eu podia fazer
Mas eu nunca me arrependi
Apenas errei, como todo mundo
Dê-me o direito.


Eu sorri quando queria chorar
Só pra ser forte mais uma vez
Só pra me segurar
Eu nunca precisei mostrar à ninguém as minhas fraquezas
Mas eu tive a quem mostrar
E mostrei
Quando devia calar
Quando mais uma vez, devia ter deixado passar.


Eu não sou ninguém importante
Muito menos o quero ser
Eu sei lá quem eu sou
Nem quero saber.


Faço rimas  da minha vida
Não que fosse importante dizer
Acho que você já percebeu
Me perco nos meus personagens
No quadriculado do meu tabuleiro de xadrez
Quem diga eu
Não, não...Digam vocês.


Eu não tenho muito o que dizer
Nem o que fazer mesmo
Vamos passear por ai
Vamos nos perder a esmo.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Wonderwall - Oasis

quinta-feira, julho 05, 2012

THAILA ACORRENTADA

E nesse meio tempo foram tantas coisas, foram tantos pensamentos, tantas poesias, tantos sentimentos.


Acordava no meio da noite, imersa no seu próprio suor. Com respiração ofegante e uma extrema sensação de derrota, de dever mal cumprido. Ela insistiu esse tempo todo em se culpar, mas não, a culpa nunca foi dela...A única culpa que realmente a pertenceu foi a de confiar demais, foi a de se entregar demais, de acreditar demais em sonhos vãos, em meros devaneios.


Sua boca estava seca, ela tentou engolir (sabe-se lá se foi o medo, a culpa, a incompreensão ou seu sangue), mas não desceu, ficou travado, como uma bala presa na garganta, não uma bala doce, uma bala mesmo, um tiro.


Parou por uns instantes, olhou ao redor, estava completamente só. Haviam posteres colados nas suas paredes, eram como milhares de olhos, que só sabem julgar e nunca ver.


Passou uma das mãos pela testa, enxugando o suor, fez cara de decepção. Olhou vagamente pra nada. Milhares de pensamentos lhe tomaram a cabeça, milhares de possibilidades, milhares de tentativas, milhares de chances, milhares de "e se..."


-E se eu tivesse calado?
-E se eu tivesse me dedicado um pouco mais?
-E se eu não tivesse dito aquilo?


Ela não enxerga por entre tantos "se's", mas eu enxergo e te digo que seria tudo a mesma coisa, talvez com um pouco mais de dor, talvez demorasse mais alguns anos, mas ia terminar da mesma forma...Tudo o que é construído sem alicerces, uma hora desmorona. Apesar de não querer enxergar, ela sabia tanto quanto eu.


Escondia muitos segredos entre seus cabelos, muito desejo entre as mãos e pernas. Suas palavras mais bonitas não eram ditas com a boca, rubra pelo batom, por que ela julgava "pecaminosa". Suas palavras mais puras eram ditas nos seus olhos, que às vezes pareciam tão amargos. Ela os disfarçava também, usava sempre delineadores e sombras, tudo isso pra não ficar tão "na cara" (literalmente) quem ela era.


Ela não era tão diferente assim, usava roupas comuns, pegava ônibus, calçava sapatos, nada de extraordinário. Nunca sonhou com um príncipe encantado, mas chorava vendo os filmes clichês de comédia-romântica da sessão da tarde. 


Ela podia não ter nada de especial, mas suspeitava, quase claramente, de que alguém via o que ela não podia ver.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora:Woman In Chains - Tears For Fears

Ps. Significado de Thaila: "Fortaleza"



quarta-feira, julho 04, 2012

ABSTRATO

Eu peguei um trem
Não, não, mentira minha
O trem me pegou
Eu fui parar em uma estação qualquer
Tinha alguém vendendo maçã do amor
Eu não gosto de maçã do amor
Mas até que gosto da ideia
Que tudo pode ser mais bonito
Se for um pouco mais doce.


Tinha alguém vendendo algodão doce também
Sabe daqueles que vem com uma bola pra você encher depois?
-É, desses mesmo.


Eu comprei o algodão doce
E mordi um pedaço de nuvem
É engraçado como as nuvens se desmancham no céu da boca
É uma sensação boa
Quase de flutuar.


Eu estive em casa por meses
Eu não queria sair
Que gentil, você trouxe sonhos pra mim...


Eu gosto de sonhos, na verdade, gosto muito
É legal quando eles me tomam pela mão 
E me fazem voar por ai.


Hoje o dia está tão bonito
O que você acha de um piquenique
É, debaixo daquela árvore dourada que te mostrei.


Um belo dia, um dia como hoje
Me levaram pra passear
E tinha umas estrelas caídas pelo caminho
No fim da rua de lajotinhas coloridas
Havia um poço
Disseram-me: "Jogue uma moeda e faça um pedido"
Eu nunca soube o que pedir
Então pedi apenas a minha moeda de volta.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: A Dois Passos Do Paraíso - Blitz

segunda-feira, julho 02, 2012

PARA CONFUNDIR

São coisas simples que eu não havia percebido até agora
Foram tantos dias, tantos meses, tantas horas
Tudo, nesse momento, está lá fora.


Eu não me sinto no direito de reclamar
Ou de dizer coisas banais
Eu sinto que posso escrever meus versos sem sentido
Se nem isso eu pudesse mais...


Gosto de ver teu sorriso
Confundam-se sobre quem
Gosto dos teus olhos
E do teu jeito de falar: "meu bem".


É engraçado eu estar aqui
Aliás, engraçado eu permanecer aqui
Sinto que mudei mais de mil coisas
Mais de mil anos
Mas não sinto necessidade de ir embora
E fugir, como fiz outrora.


Por que aqui é o meu lugar
Eu sou um bichinho-do-mato
Um botão de rosa
Um olho de gato
Ou não
Talvez eu esteja apenas tentando disfarçar
Mas isso, você nunca saberá.


Devo dizer que sonho com um "eu" de calças
Com quem eu possa me divertir
Me perder, me encontrar
Não importa se isso for errado
Não importa o que disserem.


Sempre me importei com tanta coisa
Que no fundo não passava de uma pequena ilusão
Ou grande, depende dos fatos
Devo dizer apenas que me dediquei demais a vida toda
Que andei demais, que corri demais
Eu queria apenas deitar à sombra de uma árvore
E olhar pro céu
Ver aquelas coisas estranhas se formando na minha visão
Como se diz mesmo? moscas volantes...eu acho.


É por ai
Quando eu me encontrar um dia desses
Te apresento.


(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Gita - Raul Seixas

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