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sexta-feira, agosto 31, 2012

JÚLIA

-Então, vamos tentar.

Júlia se sentiu um pouco deprimida 
Sentou-se à mesa e chorou
Chorou como quem chora por toda a vida
Ela não tinha um motivo real pra isso
Nem tampouco surreal
Ela apenas sentiu-se assim
E escreveu algo:

"Digam à todos que estou de passagem
Passagem de ida, sem volta
Digam à todos que os olhares se perderam entre as pernas
As pernas da moça que passou
Mas nem era de verdade as pernas dela
Usava meia calça.

A alça da bolsa insistia em correr pelos meus braços
Era rosa morfética e pendiam dela alguns laços
Eu não me importo
Tava mais suja que pau de galinheiro
Não por fora...Por dentro mesmo
Mas não é algo que se deva dizer
Nem é algo que alguém faça questão de entender.

Eu vou viajar
Não importa bem pra onde
Que seja pra qualquer lugar
Nem sei se volto
Nem sei se um dia desejarei voltar.
Meu nome é Júlia, Ana, Anísia...
Qualquer nome
Não me importo
Você já se esqueceu de me chamar."

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: If You Don't Know Me By Now - Simply Red



segunda-feira, agosto 27, 2012

BOM DIA, MEU AMOR

É meu amor, meu anjo, nesse exato momento, pra ser mais específica às 19:19 (parece brincadeira né) do dia 27 de agosto de 2012, disponho-me à escrever meia dúzia de sentimentalismos para ti.

Meu querido, nós somos jovens. Temos uma vida inteira pela frente, não é mesmo? Ou devo dizer: "Temos nossos sonhos inteiros ainda por viver". Nossa casa, nosso quarto, nossas bagunças, nossos filhos...Não sei como há de ser tudo isso, nem tampouco sei (não querendo ser pessimista) se tudo isso há realmente de acontecer. No meu íntimo, antes de dormir peço pelo melhor, pra nós dois. 

Não sei de que cor serão as paredes, muito menos como será a disposição da mobília pela casa. O que sei é que, da minha parte, terás todo o amor que houver nessa vida. Isso não são apenas meia dúzia de palavras, é o que lhe prometo. Aliás, no momento, tudo que posso lhe prometer...O meu amor.

Nós dois sabemos das adversidades da vida e quero que saiba, que enquanto me permitires, estarei ao teu lado. 

Quando você chorar, tentarei te fazer sorrir, te contarei piadas, farei cosquinhas ou falarei sobre o meu dia. E se mesmo assim eu não conseguir pôr um sorriso no teu rosto, te acolherei entre meus braços e te deixarei chorar, o quanto quiseres. 

Quando estiver feliz, partilharei do teu sorriso e lhe darei ainda mais motivos para o tal.

Quando estiver com medo, provavelmente eu temerei tanto quanto você, mas ei de segurar tua mão, pra te tranquilizar e pra me tranquilizar também.

Quando estiver cansado, te farei aquele cafuné que você adora ;)

E de mais à mais, estarei sempre ao teu lado. Mas compreenda, sou um ser humano, tenho meus defeitos também. Então, se porventura eu errar. Me perdoe. Desde já.

É engraçado pensar em como tudo isso aconteceu. Em tão pouco tempo, tão rápido, tão intenso, tão REAL. Sei lá, esse amor foi crescendo dentro de mim, de uma maneira que nem eu mesma sei explicar. Ele era pequeno, feito uma gotinha d'água. Nos falávamos pelo telefone sempre que pudíamos e logo ele foi crescendo. Virou uma pocinha, vai. Conversamos e conversamos ainda mais, fomos nos conhecendo, nos descobrindo e decidimos nos encontrar, uma, duas vezes até o primeiro beijo acontecer e depois dessa parte eu nem preciso explicar que de pocinha virou uma piscina, um lago, um rio e hoje, com toda certeza, posso lhe afirmar: É como o mar, que transborda e enche meus olhos d'água só de pensar em todas essas coisas que lhe disse.

Só de pensar que um dia seremos só nós dois. Depois seremos três, quem sabe até quatro. Mas isso já é uma outra história. São coisas que ainda serão planejadas.

O que mais tenho à dizer?

Que seja doce...Doce como todos os beijos que lhe darei pela manhã, quando acordar ao teu lado, dizendo: "Bom dia, meu amor".



Com amor, da tua namorada: Tamires Alci.

*Só pra constar, terminei de escrever esse texto às 20:20

sábado, agosto 25, 2012

CONTOS URBANOS: O BILHETE DE UM PSEUDO-CANALHA

Sentou-se num canto qualquer do café. Não, mentira. Escolheu minuciosamente uma mesa perto da janela. A janela era grande, tipo vitrine, daquelas que se observa tudo lá fora. O vidro tava meio embaçado, meio sujo...Sei lá.

Acomodou-se. Pôs a bolsa ao seu lado, de dentro dela tirou um caderno velho, com orelhas, meio amassado e uma caneta. Folheou até achar alguma folha em branco. Encontrou. Dobrou o caderno. Colocou a caneta atrás da orelha direita, ajeitou os óculos e olhou ao redor. Fez sinal e chamou a pequena garçonete:

-Boa noite
-Boa noite, o que a senhora deseja?
-Senhora? Eu tenho 22 anos...Seja um pouco mais gentil, ok?
-Okay, desculpa senhora
-Ahhh, vamos tentar de novo

(A garçonete sorriu, um sorriso sem graça...Mas sorriu)

-Boa noite
-Boa noite, posso ajudar?
-Tá vendo, ficou bem mais bonito agora...Pode sim. Eu gostaria de um copo de whisky com duas pedras de gelo e depois um fondue...Pequeno, por favor.
-Deseja mais alguma coisa?
-Não, creio que não...Por enquanto, é só.

Ficou ali parada por uns cinco minutos, observando atentamente a vida lá fora. Como quem observa um aquário. A garçonete voltou, trazendo o pedido da jovem moça. E eu fiquei observando as pernas da garçonete gostosa. Sei lá, ela era gostosa sim, mas alguma coisa nela, me broxava...Acho que era aquela porra de vestido xadrez.

Voltando...

A garçonete trouxe o pedido, ela pôs o copo no canto esquerdo-central da mesa e só agora havia reparado que ali havia um cinzeiro. Estava sujo. Incomodou-se um pouco com a situação, mas não disse nada, apenas afastou-o com uma das mãos (parecia estar com um pouco de nojo). Tirou a caneta de trás da orelha e pôs-se a escrever. Bebia e escrevia. Escrevia e bebia. Bebia para escrever e escrevia pra tentar esquecer. Esquecer o quê ou quem....Eu não sei. Sei apenas que ela tentava esquecer algo, estava explícito em seus grandes olhos castanhos. Por algumas vezes, quase chorou. Conteve-se e bebeu mais um gole. Acabou por pedir uma outra dose. E debulhava-se em palavras...Pobre da caneta. 

Parou por alguns instantes, ajeitou os cabelos longos, prendeu-os num tipo de coque. Ficou meio bagunçado, devo admitir. Mas aquele batom rubro em sua boca, jamais a deixaria sequer, chegar perto de ser feia.

Voltou a escrever. Confesso que estava interessado nela, mas confesso que interessou-me ainda mais o que escrevia com tanto afinco. Mandei um bilhete, junto com outra dose de whisky. Estava escrito:

"Posso saber o que tanto escreves?"

Ela tomou a outra dose, agora um pouco mais rápido. Fechou o caderno. Guardou-o dentro da bolsa. Soltou os cabelos e pôs-se a responder meu bilhete, eis o que continha nele:

-Caso seja um psicólogo não. Não pode saber sobre o que escrevo ou me acharás complexada, como todos os outros profissionais que conheci. Caso não seja, me ligue e talvez você possa virar uma das páginas do meu caderno. Alice (2785-6484). Um beijo.

Saiu do café, pegou um táxi e se foi.

E eu? Eu fiquei ali, parado, com um sorriso sacana no rosto, apenas me decidindo se ligaria ou não.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Hurt - Johnny Cash

quarta-feira, agosto 22, 2012

CONTOS URBANOS - ANA LÚCIA

Abriu os olhos. Recusou-se a levantar por algum tempo. Ficou ali, estatelada, olhando pro teto, como se nele pudesse haver algum tipo de resposta relevante pras suas tolas questões. Vagarosamente foi tomando coragem para "acordar", vagarosamente mesmo, como quem toma um copo de whisky. Espreguiçou-se. Estava nua, completamente nua. Era assim que gostava de dormir. Pôs-se sentada à beira da cama. Parou por alguns instantes, observou tudo. Estranho, já morava ali, faziam 5 anos e só agora tinha reparado a disposição da mobília no ambiente. O tapete felpudo no chão, a escrivaninha, o armário, o rádio...E por falar em rádio, finalmente levantou-se, para ligá-lo. 

Ia pôr um cd qualquer, mas sua preguiça estava forte demais, então apenas encontrou uma estação e deixou correrem as notícias da manhã. Nada extremamente novo. Tudo na mesma, pra falar a verdade: O trânsito um caos. Um pai que estuprou a filha. Uma igreja que foi saqueada. Nada que pudesse abalar o mundo. 

Dirigiu-se a janela. Abriu-a. Tomou um choque com o vento frio que adentrara o ambiente. Cruzou os braços afim de se aquecer. O dia tava chuvoso, uma leve neblina cobria o gramado no quintal e a piscina. O céu estava escuro, pelo que aparentava, choveria pela eternidade. O quarto era iluminado por um abajur de lâmpada verde. Deixava-se mostrar a tatuagem nas costas, enquanto o cabelo, longo, fazia um pequeno esforço para cobrí-la. Ficou ali, imersa no seu silêncio. Imersa no silêncio total. Apenas uma voz separava o mundo dela do mundo real, era a voz do radialista:

"Previsão do tempo, para hoje 27/08/1999: Céu completamente encoberto, chuvas fortes por toda a região sul devido à frente fria originária da Argentina. É gente, preparem os guarda-chuvas e edredons"

Pensou por um instante: "nada acontece na minha vida, nem um ataque terrorista."

Deixou-se levar pela melancolia por mais alguns minutos. 

Fechou a janela, separou uma roupa e foi se arrumar para o trabalho.

(Tamires Alci)



segunda-feira, agosto 20, 2012

AMOR, AMOR

E que seja assim enquanto tiver de ser
Que sejam doces os olhares 
E que os beijos tenham gosto de vinho
Que os sorrisos e abraços
Estejam sempre inundados de carinho.

Não digo 'para sempre'
Nem digo que será eterno o meu amor
Não faço mais promessas
Digo apenas verdades
Provo as minhas verdades
E torno-as realidade
É assim que tem que ser.

O café, um dia, será pra dois pela manhã
A casa pode até ser pequena
Mas vai haver uma coisa chamada amor
Em todos os pequenos detalhes
Em todos os meio-sorrisos
Em todas as noites
E em todos os "Boa Noite".

E será assim a cada fim de tarde
Das minhas palavras há de se lembrar
E das tuas eu me lembrarei também
Vamos sussurrá-las
Como segredos
Aqueles bem guardados, que não se conta a ninguém.

E em um dia
Deixaremos de ser dois
Seremos um
E seremos três.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora:Por que não eu - Leoni & Herbert Vianna

sábado, agosto 18, 2012

CONTOS METÁLICOS - DANILO PT. 2 DE 2


Minha mãe disse que ia levá-la pra eu conhecer, ia fazer um jantar e essas sacanagens todas que a gente bem conhece. Okay. Ela saiu pra buscar a dita cuja. Eu dei um tempo em casa, coisa de uns 20 minutos, até que tive um momento de 'iluminação'. Peguei algumas roupas, coloquei-as dentro da mochila jeans (que à esse momento, era uma das coisas que eu tinha mais afeto), roubei algum dinheiro da minha mãe e fugi. Simples assim: Fugi.

Peguei um ônibus e depois mais dois. Já tava bem distante. À princípio eu não soube bem o que fazer, mas depois de uma ou duas semanas você vai aprendendo umas malandragens. Em 2 meses eu já havia feito toda a sorte de merdas possíveis. Roubei, matei, cheirei...Matei pra roubar, consequentemente para cheirar. Eu fiquei viciado. Viciado em fazer merda, em me afundar, em ir contra todo mundo. Eu sentia um apelo enorme de gritar na cara da sociedade e às vezes, de lhe dar um belo tapa na cara. E era o que eu fazia.

Na maior parte do tempo, eu me atinha à pichar muros de igrejas com crucifixos de cabeça-pra-baixo, pichar entradas de museus, tentar quebrar estátuas ou qualquer outro tipo de monumento. Qualquer coisa que tivesse valor pra alguém. Qualquer coisa que fosse deixar alguém puto.

Me pegaram algumas vezes. Eu até fui internado num tipo de clínica(?), me diagnosticaram como 'Delinquente social', que porra de nome escroto arrumaram para o meu pequeno transtorno. Eu não era um monstro, era apenas uma pessoa mal compreendida. É só isso. Eu fugi, como o imaginado.

Nesse meio tempo conheci um mundo que eu não conhecia antes, um mundo que eu sequer imaginaria que existe se eu não tivesse me jogado nele. Um mundo em que você tem que dormir com os dois olhos abertos e algum tipo de arma na mão, só pra evitar a fadiga.

Conheci pessoas e mais pessoas. Boas, ruins, péssimas...Algumas eu diria até que são reencarnações do próprio diabo, que se disfarça e vem à terra pra ver como andam seus discípulos.

Foi num dia de inverno que me apaixonei. Não vou prolongar muito essa parte da história: Ela era puta, era bonita e fazia bem o seu trabalho. Visitei com frequência por algumas semanas, logo depois, me desencantei. É, me desencantei. Ela era puta e você não pode se apaixonar por uma puta, a menos que seja rico. E esse não era o meu caso. Aliás, passava bem longe de ser.

Eu morava na rua, debaixo de marquises, nas calçadas, em qualquer lugar. Depois de ter adormecido, numa noite de inverno, eu não me lembro como fui parar na emergência de um hospital. Tinha uma faca cravada no meu braço direito e pode ter certeza, esse era o menor dos meus problemas. Aquela porra de sala parecia um campo de batalha...Não, não, parecia um campo de extermínio. Afinal, as pessoas eram deixadas ali pra morrer e eu, consequentemente, não tinha a mínima chance de continuar vivo se permanecesse ali.

Liguei pro Samuel, um dos amigos que citei no começo do texto. Ele era da vida, feito eu. Mas havia se casado, arrumou uma casa e foi se 'endireitando'. Ele se prontificou em me ajudar. Me levou pra um outro hospital e lá trataram bem de mim. Depois que tive alta, fiquei em sua casa por uns tempos. Ele teve muitas conversas comigo. Conversas de 'pai e filho', conversas que eu nunca havia tido. Me incentivou à andar na linha e tenho de confessar, que naquele momento da minha vida, fez todo sentido. 

Eu passei a me cuidar, arrumei um emprego e depois de muito pensar, resolvi procurar a minha mãe. Ela me acolheu, mesmo depois de saber cada mínimo detalhe do meu tempo fora de casa. Ela foi a mãe que nunca se mostrara antes pra mim. Eu abracei, chorei...Ela apenas me olhou nos olhos e disse:

"Danilo, por pior que sejam as coisas, não há lugar no mundo melhor que a nossa casa."

(Tamires Alci)


sexta-feira, agosto 17, 2012

CONTOS METÁLICOS - DANILO PT. 1 DE 2

Pra começar, estávamos os três ali, naquela praia, fim de tarde...Eu e mais dois caras que haviam ganhado a minha confiança com o passar do tempo. Não, eles não estavam ali desde que eu tinha 3 anos de idade. Um deles até, tem pouco mais de 2 anos que conheço, mas algo no jeito de falar ou na convicção que ele sempre tem, merece o meu respeito.

Okay, mas não estamos aqui para discutir a relação tempo-amizade-confiança que tínhamos. 

Fazia algum tempo que não os via, aliás, deixa eu me corrigir: "Fazia algum tempo que ninguém me via." Não. Eu não sou invisível, okay? Eu tô apenas falando das pessoas que normalmente costumavam me ver...Leia-se "ver" como "olhares tortos". Pra dizer uma grande verdade, eu nunca fui um cara normal. Até meus 15 anos morei numa 'cidade grande', estava acostumado com o barulho dos carros, pessoas falando alto, tiros (às vezes) e até me familiarizei com o barulho da estação de trem. Eu gostava daquilo, eu era viciado em todos aqueles tipos de barulhos, sem contar a jukebox do barzinho, embaixo do prédio.

Eis aí o momento em que as coisas começaram a degringolar: Minha mãe perdeu o emprego que nos mantinha e a companheira dela (sim, minha mãe era lésbica...Nunca vi problema algum nisso. Via problemas na PESSOA que ela tinha escolhido pra estar ao lado dela...ou melhor: DEPENDENDO DELA). A filha da puta era uma folgada de nível superior. Não fazia nada. Era como um homem: Usava roupas de homem, falava como um homem e coçava as virilhas como um homem...O problema todo é que ela não trabalhava como um homem...E muito menos fazia as coisas de casa, afinal, da perspectiva dela, isso era coisa pra mulher. E na sua visão machistamente escrota, era mais do que normal a minha mãe chegar do trabalho cansada e ainda fazer comida, arrumar a casa, lavar banheiros e todos esses inúmeros afazeres domésticos. Eu até ajudava em algumas coisas. Deixava a casa arrumada ao meu jeito, claramente. O que, infelizmente, não agradava muito a minha mãe. Afinal, eu não tinha esses 'dons' que as mulheres tem, de deixar tudo arrumadinho e bonitinho. Eu fazia o que podia. Eu fiz o que pude por um certo tempo...Tentei agradar, tentei ajudar, mas não deu certo. E como não deu certo, comecei a tocar o foda-se.

Como disse antes, minha mãe perdeu o emprego. Pegou até algumas parcelas de seguro e tal, mas não ajudou muito. Tive que sair do colégio em que estudava, era particular. Fui para um público, não me adaptei muito bem, como vocês já devem imaginar. As outras pessoas me ridicularizavam pelo fato da minha mãe ter uma opção sexual diferente das mães 'normais'. Aquilo tudo me deixava puto, mas eu tentava me concentrar nos estudos. Nunca dependi da opinião de ninguém pra sobreviver. Dependia da minha mãe e do dinheiro que ela ganhava, aliás...Do dinheiro que ela não ganhava mais. A gente tava na merda e isso fazia a tal folgada master se emputecer à níveis catastróficos, o que sempre gerava brigas e eu sempre terminava no boteco, aquele, embaixo do prédio. Muitas vezes eu ia de lá direto pra escola. Tava pouco me fudendo pra elas duas.

A gente foi despejado por não pagar o aluguel...Até ai tá tudo péssimo, mas uma coisa salvou essa parte da história: Numa das brigas frequentes entre a 'macho dominante' e a minha mãe, ela foi embora. Disse que não ia morar debaixo de uma marquise com uma mulher 'ruim de cama' e com um garoto escroto que só sabe reclamar da vida. E lá foi-se ela. 

Bom, minha mãe ficou um pouco chateada, mas isso passou. A gente foi morar de favor na casa de uma tia distante. O problema é que a tia distante, morava no meio do mato...LITERALMENTE. Não tinha nada naquele lugar, nem boteco, nem barulho e pasmem: Nem estação de trem. 

Os primeiros dias foram tranquilos. Tudo estava se acertando: Minha mãe havia arrumado um emprego, as pessoas na escola não implicavam comigo e não tinha mais ninguém com comportamentos masculinos a não ser eu e meu tio.

Eu comecei a ficar inquieto, lugares calmos demais nunca foram a minha 'praia', se é que me entendem. Eu não tinha nada pra fazer, não tinha com quem conversar, não via aquele 'trânsito de pessoas'. Eu era uma barata da cidade. E adorava tudo que a cidade tinha: dos esgotos aos shoppings. E agora, eu tinha de caminhar 20 minutos pra chegar em uma padaria...Até eu comprar meu pão, já tinha perdido a fome. 

Odiava essas viadagens todas de natureza: Ar puro, árvores, trilhas...Se eu quisesse natureza, ia acampar. Mas eu não tinha APENAS ido acampar. Eu estava morando lá. E por mais que isso não pareça tão ruim assim aos olhos de outros, aos meus era um pesadelo. 

Passaram-se 3 anos desde então. Eu e minha mãe nos mudamos pra uma casa na mesma rua da minha tia. É, por algum motivo que minha inteligência desconhece, minha mãe adorava aquele lugar. E quanto mais eu me esforçava em odiar e criticar, mais ela gostava e isso não ia mudar.

O lugar era esquisito, parado...Me lembrava a Centralia, uma cidade abandonada na Pensilvânia depois de um desastre natural envolvendo gases no subsolo e rachaduras no chão. É, eu vi muita televisão por um tempo. E, por algum outro motivo que desconheço, eu adorava esses tipos de documentário.

Eu cresci, já tinha meus 18 anos...Tá, não é grande coisa. Porém, eu já podia entrar em alguns lugares bem legais. Não era o caso.

A real situação é que a essa altura do campeonato, minha mãe resolveu se envolver com uma outra mulher. Eu fiquei puto. Tava traumatizado. Traumatizado mesmo. 

Continua...

(Tamires Alci)

 •Ouvindo Agora:Black nº1 - Type O Negative


quarta-feira, agosto 15, 2012

ESPECULAÇÕES

Entre os livros e os destinos cruzados
No meio de linhas mal escritas
Entre vírgulas e parágrafos
Eu me escondo.

Arrumo minhas coisas
Armário, sapatos, roupas
Pra fazer uma tentativa vã de organizar a minha alma
Mesmo que por fora.

Eu sei que não funciona
Aliás, nunca funciona
Já tentei mais de umas 500 vezes
Usar dessa mesma técnica
Eu acabo por me sentir um pouco pior que antes.

Minha mente é barulhenta
Parece algum show de punk rock
Com pessoas gritando
Guitarras distorcidas.

Às vezes, os gritos são tão altos que eu mal consigo me concentrar
Então perdoe se eu for deseducada às vezes
Isso tudo me proporciona algum tipo de dor de cabeça
Que não se vai com os analgésicos
Se é que você me entende.

Eu nunca falo mais do que devia
Mas observo
Observo demais
Sei do que não gostaria de saber
Corro do que não gostaria de correr...

Mas isso são só especulações
Da vida de alguém que nem te interessa aprender.

O café já esfriou
O pão murchou
E o fim da tarde chegou.

Eu vou desenhar um sol na minha janela...

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Wonderwall - Oasis

terça-feira, agosto 14, 2012

CONTOS URBANOS - ALANA

Descia as escadas tão suavemente que parecia ensaiar algum tipo de dança, balé talvez...

O vestido cobria-lhe as pernas, até a alturas dos joelhos, era um tecido leve e a cor era rosa, rosa bebê. Um rosa daqueles que quase nunca se vê. Um modelo delicado, com um laço que balançava ao vento. Nos pés, uma sapatilha branca com detalhes dourados. Por falar em dourado, essa era a cor de seus cabelos também. Dourados, cacheados...Feito o dos anjos. Seus olhos eram azuis diamante.

Parecia uma princesa. Uma princesa de 17 anos, com todo aquele ímpeto juvenil. Cantarolava alguma canção que havia surgido muito antes dela nascer, se não me engano, parecia Janis, mas vai-se-lá saber...

Era fim de tarde de uma primavera de 96. O clima era agradável, ventos mornos corriam a toda hora. E o céu? O céu àquela hora já estava em tons róseos que levemente se misturavam ao amarelo, coisa mais linda de se ver. Parecia um tipo de aquarela borbulhante.

Alana sentou-se em um dos degraus. Sentiu-se um pouco alta, deixou-se levar pelos encantos daquela tarde. 

Pensou em tantas coisas que ahhh...Dá até preguiça de escrever. Era engraçado como já havia vivido tantas coisas em seus tão poucos 17 anos. Lembrou-se das viagens com a família, dos amigos...E nesse último caso, lembrou dos muitos que já não estavam mais lá, dos muitos que, na verdade, nunca estiveram lá realmente. Não se arrependeu de um dia tê-los chamado de amigos. Apenas sorriu. Sorriu um sorriso descrente, como quem faz um esforço pra acreditar na humanidade.

E de seus amores...Havia tido três, até então. Como pode se supor, nenhum deles prosperou. Não era pra prosperar, não era o tempo certo. Alana era apenas uma menina cheia de inseguranças e medos, ainda havia muito o que aprender.  Perdeu o olhar no horizonte e suspirou.

Parou por alguns instantes, levantou-se, catou uma flor no jardim e a pôs entre seus cabelos e continuou cantarolando a tal música de antes.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Bye Bye, Baby - Janis Joplin

domingo, agosto 12, 2012

UM AMONTOADO DE PALAVRAS

Um quarto 
Uma luminária
Uma cama
Dois corpos cansados, abraçados
A luz do dia que começava a adentrar o ambiente.

Acordei...Não, na verdade eu não acordei. Acordar é o que a gente faz todo dia, não importa se está bem ou mal.

Seria mais apropriado que eu inventasse algum tipo de palavra... Algum tipo de palavra que tivesse potencial para descrever o que eu senti. Mas, na minha humilde opinião, acho que palavras são coisas superficiais demais, algumas vezes.

Então, fiquei ali deitada...Entre o sono, o sonho e a realidade...Não vou negar, os três me pareciam extremamente convidativos.

***Deixa eu me corrigir: "Ficamos, ali, deitados."

Ficamos ali deitados
Entre lençóis
Entre braços e abraços
E todos aqueles segredos
Que morrem aqui, só entre nós.

É engraçado como ser feliz é uma coisa ilegalmente estranha
Você sorri à toa 
Fica com cara de bobo (a)
Sua mente voa
Isso deveria ser registrado como algum tipo de 'psicose'
Aliás, o amor, esse sim, devia ser registrado como algum tipo de droga ilícita.

Mas vamos sim
Vamos falar dele
Do amor
E dos seus eles
E elas
E nós...

O amor é engraçado
É quase um pecado (se não é)
Uma droga
Tem gente que não sabe nadar
Mergulha nesse mar
E se afoga
Mas em todo caso
Sempre vai haver um salva-vidas
Ou um salva-corações
Vai saber...

E você se perde
Eu me perco
Nós nos perdemos
Entre 'ondas' e 'mares' que não saem dos limites da cama
Entre línguas e olhares, dizendo que me ama.

Dois copos de vinho
Unhas e arranhões
Duas doses de amor
E todas as suas 'não-razões'.

Ficamos combinados assim
Como o poeta disse: "Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure."

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Só Pro Meu Prazer - Leoni

quinta-feira, agosto 09, 2012

CONTOS URBANOS - MARCOS

Estava no seu quarto, estava escuro, não muito escuro...Um tom de quase meia-luz, só que sem tanta luz. Divagava solenemente sobre algo que nem ele sabia o quê. Um misto de paixões, frases e filmes. Em sua vitrola, majestosamente podia-se ouvir o "Dark Side Of The Moon" e vamos combinar que esse disco é um ótimo pretexto para se pensar na vida e em todas as suas especulações. Talvez, aquele exato momento, mais tarde viria a ser algum tipo de texto descrente que ele iria escrever.

Estava deitado, um dos braços dependurava-se pra fora da cama, segurava um cigarro, que, de vez em quando, levava à boca. Olhava fixamente para o teto. Era um tipo de olhar mais perdido do que o de alguém que não tem pra onde ir. Era um olhar que fitava o teto, mas que, na verdade, parecia atravessá-lo e ver as estrelas. O olhar de alguém que, apesar de tudo, ainda acredita...Ou finge acreditar.

Era magro, moreno, tinha por volta de 1,75 de altura e um sorriso sacana. E aposto que ele vai sorrir exatamente assim  quando vir a ler essa descrição. Tinha olhos de garoto, doces...Um jeito de falar manso, a voz rouca. Inteligente, apesar de quase sempre, se negar a acreditar nisso quando diziam. Seu nome? Marcos. 

Voltando...

Por uma fração de segundos, um suspiro cortou o ar, um suspiro quase indignado. O cigarro havia acabado e com ele se foram as brisas. Estava com preguiça demais pra se levantar e pegar outro, ou talvez, cansado demais. Chegou até a fazer um pequeno esforço para se levantar, mas foi em vão, a cama e os lençóis o puxaram de volta.

O 'cheiro de amor', como ele gostava de chamar, inundava o quarto e aquilo era mais viciante que qualquer tipo de droga. 

Uma curiosidade ao seu respeito: Ele sempre acreditava nas coisas que inventava e, pelo visto, os outros também acreditavam nelas...

Ficou analisando a música que tocava ao fundo, na vitrola, ainda era Pink Floyd. Sorriu por alguns instantes. Sabe-se-lá o que ele pensou.

De repente, uma voz de mulher adentrou todo aquele ambiente...A música tornou-se quase imperceptível na presença dela. Disse:

-Amor, voltei. (um sorriso tomou-lhe a face)

Retribuindo o sorriso, ele disse apenas:

-Vem cá.

Os dois ficaram ali, parados, deitados, abraçados...Sentiam que estavam no lugar certo.

E eu sei disso tudo, porque estava ali também. Observava tudo com a maestria de alguém que se esconde atrás da porta.

(Tamires Alci)

quarta-feira, agosto 08, 2012

CONTOS URBANOS - ARIANNE

Arianne, sim...Esse era o seu nome de 'guerra'.

Tinha 23 anos, corpo esguio, seios fartos, bunda grande, coxas grossas, como toda morena que se preze. Na verdade, como toda boa puta deve ser.

É uma palavra forte sim. Puta. Mas infelizmente é o que a define, aliás, é como os outros a definem. Morava num barraco, perto de Santa Tereza. Morava sozinha, não gosta de dividir o dinheiro que ganha com 'tanto esforço' com alguma piranha mais velha que só sabe mandar nas outras, como se fossem bonecas. Já havia passado por isso há um tempo atrás, mas agora, o dinheiro era só dela.

Engraçado como pensam que puta só é puta porque quer. Não é bem assim não. Vida de puta não é vida fácil, como todos dizem. Você pode transar com um lindo loiro de olhos azuis e em seguida um velho gordo à lá Sr. Barriga. Puta não pode escolher. Aliás puta só escolhe, se por acaso ela for uma 'bonequinha de luxo', ai ela escolhe sim...Escolhe se vai receber em dólar, libra, euro...

Voltando...

Arianne fazia seus trabalhos num barraquinho ao lado do barraco que morava, aquela porra parecia mais um chiqueiro, pra falar a verdade. E com tantos 'porcos' que entravam lá, só tornava ainda mais real o meu cenário.

Não vou mentir pra vocês, Arianne fazia todo tipo de coisa que a mandavam, por dinheiro. Anal, oral e toda a sorte de bizarrices que quase denunciavam doenças psicológicas.

Era usuária de drogas, precisava pagar seus produtos e suas contas. Afinal, pode parecer contraditório, mas Arianne, apesar de tudo, era honesta.

Satisfazia seus clientes e recebia seu dinheiro de uma forma que, para ela, era honesta. Não tava roubando e nem matando ninguém. Usava o seu corpo e de mais ninguém. Então, seu dinheiro era limpo. Pelo menos na visão dela.

Às vezes se pegava chorando, às 3:40 da madrugada de uma quarta-feira. Aliás, se pegava chorando quase sempre, tinha seus conflitos internos, coisas que só ela sabia entender e, infelizmente, não tinha ninguém para compartilhar...Nem um amigo traveco. Por conta disso, se afundava nas drogas. Trabalhava para se drogar e se drogava para 'trabalhar'. Como uma máquina, uma medonha máquina que, pouco a pouco, começava à enferrujar.

Do alto de seus 23 anos, Arianne era aidética e a coca só piorava sua situação. Estava ficando cada vez mais magra devido à falta de apetite que a droga causava. Na geladeira, quase sempre não tinha nada, então era como unir o 'útil ao desagradável'.

Passado alguns, poucos, meses, começou a perder seus clientes por causa do declínio de seu corpo. Agora com o rosto magro, bochechas 'chupadas',  coxas e bunda flácidas. Arianne estava perto de seu fim. Ela sabia disso. Já não tinha mais dinheiro pra sustentar seu vício, não tinha dinheiro pra pagar as contas. Foi despejada. Passou uma semana na rua, embaixo de alguma marquise. 

Teve uma parada cardíaca. Alguma boa alma, levou-a para um hospital. Público, obviamente. Foi largada em uma maca. Ainda conseguia pensar em alguma coisa. E eis um dos seus 'talvez' últimos pensamentos.

"E tudo o que fiz, de nada valeu."

Já teve amores, já havia sonhado em ter uma casa, filhos e um cachorro correndo pelo quintal. Mas a vida, nem sempre é justa para todos ou todas. Seus sonhos foram desfeitos diante de seus olhos umas 3 vezes, mas a última foi a que realmente mudou sua vida, para pior...Jonas, ele havia ido embora. Foi morto com três tiros em sua frente e ela simplesmente não pôde fazer nada além de correr. Tinha apenas 16 anos e decidiu não voltar pra casa, não mais...Nunca Mais.

Era uma mulher, como todas nós. Tinha sentimentos e conflitos internos. Se preocupava com estrias, celulites e cabelo...Arianne, na verdade era Ana Paula. E a Ana Paula, essa sim, nunca morreu.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Natasha - Capital Inicial

segunda-feira, agosto 06, 2012

CONTOS URBANOS - AMÉLIA

Eis que estava ali, parada, quase inerte, esperando o ônibus. 

Era quase imponente, usava um vestido rosa. Rosa rodado, rosa goiaba, que fielmente combinava com suas sandálias. A bolsa era branca, um fecho dourado de latão. Brincos de argola que havia comprado na feira há mais ou menos uma semana atrás.

Não era feia, mas também não era tão bonita assim. Era normal. Se chamava Amélia. Não gostava de seu nome, preferia que fosse Mariana, Suzana ou Alana....E que fosse parecida com tantas outras Ana's.

Tinha olhos claros, olhos cor de mel, que se perdiam no horizonte à espera do 551-Penha. Olhos quase niilistas. 

Sua face, no geral, era suave...Traços delicados, parecia ter sido pintada com pincéis de cabelos de anjo. Boca fina, batom cor de pele. Um blush rosado. Nos olhos, só o lápis e o rímel. Mudo minha opinião à essa altura. Ela era bonita sim.

Ela tossia forte...Tinha sérios problemas.

Um rapaz se aproximou, perguntou se estava tudo bem...e um pequeno diálogo foi se fazendo.

-Ei, você está bem?
-Estou sim, obrigada
-Quer uma água ou um refrigerante?
-Não, não, obrigada.
-Qual seu nome?
-Amélia...E o seu?
-Vitor
-Prazer.
-Igualmente.

Okay, não foi um grande diálogo. Mas foi um. Ela ficou ali por mais uns cinco minutos, começou a contar sua história, que não era lá grande coisa, olhando do alto do seu salto e dos seus 27 anos. Tinha uma filha, não era casada, morava de aluguel, fumava, bebia e tinha problemas com a família e com o pai de sua filha. 

Despejou tudo isso em cerca de 3 minutos, em cima daquele sujeito de quem ela só sabia o nome. Era como se realmente precisasse contar isso pra alguém e esse alguém, era ele. Que se ofereceu tão prontamente para ajudar.

O rapaz, que aparentava ter uns 23 anos, não disse muita coisa. Aliás, não disse quase nada mesmo. Naqueles 3 minutos ele praticamente só concordou e acenou com a cabeça. Sinais de aprovação e reprovação.

Amélia, mesmo um pouco distraída, percebeu que seu ônibus havia chegado. Se despediu, agradeceu, subiu no ônibus, passou na roleta, sentou-se. De dentro da pequena bolsa branca tirou uma bombinha pra asma, levou à boca, acalmou-se, olhou pela janela e viu o céu cinza, começava à chover, suspirou levemente e continuou sua vida.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Nem Mais Um Dia - Djavan

quinta-feira, agosto 02, 2012

DOMINGOS

O domingo é um ótimo dia. Um ótimo dia tedioso.

Um dia pra ficar na cama, de preguiça, de pernas entrelaçadas. Um dia especialmente bom para aquela sacanagem embaixo do edredom, logo pela manhã.  

É, é verdade sim, e eu sei que você acabou de concordar comigo.

Temos de concordar que o domingo é um dia digno de não se fazer nada. Nem pra escrever eu sou boa aos domingos. Domingo é um bebê no colo da mãe, é a sesta da semana, é o ficar largada no sol pra pegar aquela marquinha e acabar adormecendo, são os pés na beira da piscina. Domingo é um dia gostoso.

Foram nesses domingos que me perdi e que acabei me encontrando em um outro alguém...É verdade.

Domingo é aquela hora do dia que você senta numa cadeira da varanda e espera o entardecer, coisa bonita, bonita mesmo de se ver.

Dependendo do domingo ele pede uma cerveja ou um vinho...Um bom vinho. Mas não esqueça de que o bom vinho tem que vir acompanhado de uma boa companhia, uma boa música e um quarto semi-escuro...Se não for assim, tome um café...Um café quente como o inferno e doce como um beijo...Talvez isso te aquiete um pouco...Ou não.

O melhor do domingo são as companhias...Mesmo que seja a sua. Aquele sorriso fora de hora. Aquela lembrança de um momento qualquer, seguida de um suspiro...Ahhh.

Talvez o início de todos os domingos sejam as noites: Beijos perdidos no escuro, risadas, conversas...eis os domingos. Na televisão, os melhores programas de auditório. Na sala, duas pessoas que não prestam atenção alguma neles. A tv fica ligada mesmo, só pelo costume, só pra fazer barulho, que é facilmente substituída por aqueles flashbacks ou sei lá o quê...depende do teu gosto musical.

As madrugadas de domingo são as mais inquietas possíveis: Ninguém quer dormir, mas todo mundo TEM que dormir, porque precisa acordar cedo pra ir trabalhar na segunda. A inquietação não deixa, você quer que o domingo volte e que ainda esteja lá, nos braços dela, entre as pernas dela...E não apenas delirando de amores por ela.

Ahhh como é bom ser domingo.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Easy - Faith No More
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