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terça-feira, setembro 18, 2012

ÓCULOS

...Senti dores de cabeça, uma tontura sem limites, mal estar. Fui ao médico. Me consultei, disse à ele meus sintomas. Ele me olhou, dos pés a cabeça, parou, pensou um pouco e disse que devia me consultar com o oftalmologista, talvez eu estivesse com algum problema nos olhos. 

Voltei pra casa e marquei uma consulta com o oftalmo pra uma semana depois, as dores de cabeça continuaram, não digo que estavam mais fortes, nem mais fracas, apenas estavam lá. Não era uma dor insuportável, era apenas algo que me incomodava e que antes não costumava incomodar.

Chegado o dia, às nove da manhã eu estava lá, sentada na sala de espera, aguardando pacientemente meu nome ser chamado. Depois de umas três pessoas, eis que escuto: "Carlos Miguel", bom, era eu. Me levantei e me dirigi ao consultório número cinco. Sentei-me e expliquei aqueles sintomas novamente, ele me avaliou e fez alguns exames com aquelas lentes, aquela coisa toda de ler as letras pequenas e tal. Ao fim da consulta ele chegou à uma conclusão: 

"Caro Carlos Miguel, creio que sua visão esteja um pouco afetada, pode ser pela sua idade ou pode ser apenas por genética, o fato é que terás que usar óculos."

Ouvi mais algumas palavras do médico, não, na verdade não ouvi, eu praticamente saí do meu corpo quando ele disse "óculos". Não que eu não goste de óculos, não é isso, o caso é que eu tive uma epifania.

Saí do consultório e fui pensando naquela frase dentro do ônibus à caminho de casa. 

"Eu...Óculos...Óculos...Eu...Visão afetada..."

Nunca tive problemas com os meus olhos, mas ao que me parecia, a idade estava começando a pesar. Não vou dizer quantos anos tenho, vou dizer apenas uma coisa: 

Eu não preciso de óculos para enxergar melhor ou para parar de sentir dores de cabeça e mal-estar. Eu preciso de um calmante que faça meu cérebro parar de pensar, ou quem sabe um tapa-olho que não me deixe ver mais nada como essa violência e toda essa babaquice sobre-humana.

(Tamires Alci)


segunda-feira, setembro 10, 2012

EU COLECIONO

Eu coleciono coisas
E me escondo nas casas
Que eu construí
Com as cartas de amor que você me escreveu.

Um beijo
Um queijo
E uma vontade de dizer
Que te quero mais
Cada dia mais
Cada vez mais.

Eu coleciono tampas
Tampas de garrafa de cerveja
Mas veja só
É um pouco estranho
É quase inútil.

Eu coleciono perfumes
Aqueles que passam
E deixam uma marca na minha memória
Que seja por um momento sequer
Ou por toda história
E eu os prendo na minha caixa.

Eu coleciono todo tipo de objeto que faça sentido ou não
Eu coleciono lembranças.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Criado Mudo - Leoni

quarta-feira, setembro 05, 2012

26/09/2012

Nova Iguaçu, 26 de setembro de 2012

É você não leu errado. 26 de setembro de 2012, torno a repetir. É hoje.

Livros vão se empilhando nas estantes
Parece engraçado
Mas eu olho para eles todos os dias
Eu não tenho tempo
E desses que jaz em seus pequenos centímetros acumulando poeira
Já li um bocado
É quase um pecado que ninguém os tire dali.

A faxineira vem de vez em quando e passa por eles um espanador
Não são espanadores que eles querem
São mãos
São olhos atentos
São corações.

Eu me sento
Eu escrevo pra ti
E tomo café
Procuro as palavras pra'quele teu verso 
Entre títulos meio embaçados
Baixo os óculos
Aperto minuciosamente os olhos
Encontrei, vamos tentar.

Eis aqui meia dúzia de tuas palavras: 

"...Que me entrego disfarçadamente
Quase sem sentir
Em cada sorriso
Cada passo do dia-a-dia
Todo aquele ir e vir

Que me entrego disfarçadamente
A cada respiração
A cada bambear de pernas
Arquear de quadris
Toda vez que toca aquela canção..."

E eu continuo:

"...Que me entrego disfarçadamente
E cada vez mais sou teu
Entre cabelos esvoaçantes
E beijos doces
Para sempre teu, nessa e nas minhas próximas vidas errantes"

Digo que encontrei teu trecho amassado na lixeira
Tive que colar algumas partes para fazerem sentido
Mas afinal, o que há de fazer sentido nessa vida?
Do texto à estante
Da viagem ao viajante
E os óculos embaçados pela fumaça do café.

-O que estava fazendo ai, meu bem? (Ela perguntou)
-Apenas te completando, meu amor.

Ela sorriu. 

O que faz sentido nessa vida é o amor, que faz todas as outras coisas deixarem de ser importantes.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Esse Outro Mundo (Canção Rotativa) - Leoni

segunda-feira, setembro 03, 2012

ALIENS NO JANTAR

Um café por favor
Quem sabe seria melhor um conhaque
Mas as olheiras estão maiores que as orelhas
Do livro que eu deixei de ler.

Faz quase uma semana que não me vejo
Faz quase um mês que nem faço questão
E pra aproveitar o ensejo
Aviso à vocês: Está chegando o verão.

Fui ao banheiro
Tem morcegos naquele forro
Forro pvc
Morcegos falando de você
Não só morcegos
Até a novela da janela ao lado
Mas que pecado.

Vamos manchar a toalha de mesa com vinho
Estamos todos bêbados e sem carinho
Quem sabe, você não deva se meter.

Comeremos salada no jantar
Tem aliens na porta
Convide-os para entrar
Trouxeram presentes
Uma garrafa daquele vinho de Jesus
E uma lâmpada que não acende ideias
Talvez nós é que não tenhamos eletricidade suficiente
Quanto menos aqueles sofisticados menus.

Eu vou fazer um blues
O blues da sacanagem
E vou falar todas as merdas possíveis
Que eu tenho coragem.

Mas não me entenda mal
Jantar com os aliens foi só uma expressão
Na verdade, aquele dia foi estranho
Foi mais uma DE-pressão.
Desculpe a insistência em torno de toda essa adoração.

A salada era de carne humana
E quase que isso vira uma trama
Pro Tarantino filmar.

E com toda a tristeza o que se faz?
Se põe sobre a mesa
E teremos uma doce sobremesa
Para sua nobreza afagar.

Mas, cadê mesmo o café que eu pedi?

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Nosferatu - Leoni

A PRIMAVERA

Ahhh céus azuis
Que cobrem de luz
Todas as minhas manhãs.

Ahhh esses ventos
Que passam, disfarçam
E balançam os meus cabelos.

É a primavera que está chegando
É uma outra estação que dentro de mim, já começou.

Uma outra estação que floriu os jardins
Que tocou outra música
Que me fez dançar.

Vou escrevendo devagar
Aproveitando para me deliciar com cada palavra
Cada vírgula, cada acento
Vamos sentar no quintal
Pegar um violão
E começar do começo
Do zero de novo
E tocar uma nova canção.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Shinny Happy People - R.E.M
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