Subscribe:

quarta-feira, novembro 21, 2012

CHÁ DE COGUMELOS

Há tempos não escrevo um poema
Uma carta
Um relato
Uma monografia
Ou sei lá
Mesmo um recado de geladeira
Com beijo e marca de batom
Há tempos eu não mudo o tom.

Não mudo mais o tom da minha voz pra falar
E nem grito quando não querem mesmo me escutar
Já gritei demais
Discuti demais
E percebi que nada muda.

Ontem à noite eu nem dormi direito
Mas nem faz muito sentido dizer isso assim
Os ponteiros do relógios vagarosamente se encontravam
Cada vez em um número diferente
E cada vez que isso acontecia
Os tons do céu mudavam
Se enroscavam em cores diferentes
Cada vez que eu via
Azuis-escurecidos e azuis clareantes
Parecia algum tipo de psicose
Parecia que alguém tinha derrubado chá de cogumelos por toda extensão que cobria meus olhos.

Foi assim por um período incessante de quase duas horas
Eu comi geléia de amora pra ficar acordada
E maravilhada com a aurora boreal que minha mente estava criando
Talvez fossem os remédios
Talvez fosse a solidão
Ou só o tédio.

Eu nem contei
Meus pais dormiam no quarto ao lado
No universo ao lado
Cada um na sua estrela
Cadente ou não...

Eu não podia fazer nenhum tipo de barulho
Eu não podia cantar
Nem dançar entre os antulhos de fumaça cósmica
Entre as rosas do teu lixo estelar.

Eu sentei
Deitei
Dormi
E foi como se tivessem cogumelos pelo meu tapete.

(Tamires Alci)

  •