Subscribe:

quinta-feira, dezembro 27, 2012

QUE AUDÁCIA, FACEBOOK.

E o facebook veio me perguntar: "Como vai, Tamires?"

E pela primeira vez, eu não soube responder uma pergunta tão simples como essa. 
Não sei como vou, nem sei, na verdade, se vou. 
Se vou, vou pra onde? Vou com quem? 
Vou à pé, vou de avião ou vou de trem?

Nem tenho andado direito
Se não ando, não posso chegar
Se não chego, não me encontro em nenhum lugar
Ou no meio do nada
No deserto do Saara
Em frente ao mar.

Sei que quando eu chegar
Talvez possa responder
Essa pergunta que o tal sujeito Facebook veio me fazer
Mas por enquanto, não sei não
Nem sei o que dizer
Vamos continuar escrevendo versos tolos
Versos que ninguém vai ler.

Sr. Facebook, com que audácia o Sr. vem perguntar da minha vida?
De como eu vou
Do que está acontecendo
E como estou me sentindo
Deu de psicólogo agora?
Daqui a pouco me chega a conta
A conta dessas suas perguntas marotas
Que nem sei como vou pagar
Aí vai me bater o desespero
O que é que o Sr. vai me perguntar?
"Quando sai seu pagamento, Tamires?"

É vai chegando um novo ano
E eu aqui a me questionar
Tanta, mas tanta coisa que nem sei por onde começar.

Mas pra começar, vou me questionar do porquê estou divagando sobre uma pergunta de uma rede social.
Acho que é mania de poeta
Ver tema até no que não há
"E aí Facebook, como você está?"

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Mamãe no Face - Zeca Baleiro

MUDANÇA

O ponteiro do relógio vai se arrastando 
Mudam os segundos, as horas
E de repente o dia vira noite
A noite madrugada
Madrugada manhã 
E já é outro dia.

Mudam os tempos
Os ventos
E até as nuvens do céu
Caem os muros das cidades
E rasga-se a folha de papel
Rasga-se a felicidade de outrem
Não é culpa minha
Não é culpa sua
A culpa é de ninguém.

Ninguém, esse que deixou de ser alguém há tempos atrás
Há tanto tempo que você nem se lembra mais
Ou talvez se lembre
Visto que não faz questão de esquecer
Por mais que diga, diga que tente
E tenta não sentir.

Ahhh mudança de estações
Mudança de corações
Não se deixe inquietar
Tudo acontece no tempo certo, pequena garota.

E olha aqui quem quer falar de você
Alguém que não gosta de conselhos
E muito mal pode te entender
Apenas pense
Que poderia ser melhor
Se visses as mudanças ao redor de ti
Gostaria muito que pudesses sorrir.

E muda tudo
O tempo
O ventos
E até os desertos
Que se moldam e se movem à sua própria vontade.

(Tamires Alci)

terça-feira, dezembro 25, 2012

2013

2013 devo pedir-te antecipadamente minhas desculpas
Ando com receio do que possas fazer de mim
Nós dois sabemos que você não vai ser tão "assim"
Tenho tentado te evitar
Mas eu sei que a cada dia dos próximos 12 meses você vai me encontrar
Vai me encontrar, vai me encarar, vai se escancarar pra mim
A cada passo, cada esquina e cada ônibus que eu pegar.

Mas 2013, pegue leve
Tudo bem que eu não tenho sido a melhor pessoa do mundo
Mas eu tenho tentado andar na linha, veja por esse lado.

Vou te receber com copos de vinho, brinde e tudo mais
Portanto seja educado
Não fique abalado com a minha indiscrição.

Vou avisar antecipadamente
Não estarei sozinha
Então, venha com a sua melhor roupa
Ajeite os cabelos e use seu tênis novo.

De mais à mais é isso
Quando me encontrar, sorria
A cada novo dia
A cada nova estação
A cada manhã, um novo "bom dia".

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Telegrama - Zeca Baleiro







terça-feira, dezembro 11, 2012

POÉTICAMENTE URBANO

Estavam os dois no ônibus
Dois desconhecidos
Des-conhecidos
Recentemente descobertos e conhecidos
Coisa de cinco minutos.

Um vento quente entrava pela janela
Asfalto quente que derretia até sandália
Derretia era cérebro de gente
Até de gente inteligente.

Garrafinhas d'água suadas
Canudos protuberantes de seus gargalos
E líquidos indo da boca pra garganta
Tosse seca típica de verão
Pigarro
Fumaça de cigarro.

Folhas de jornal
Viram leques artificiais
De notícias que nem destaque são mais
Se torcer uma página é capaz do sangue esguichar
Feito artéria cortada de navalha
É tudo que se faz, tudo que se vê
Mas isso, ahhh é normal.

Relaxa, curte a viagem de ônibus porque vai demorar pra chegar
Tem os ambulantes também né
"desculpe senhores interromper o silêncio da sua viagem..."
Tá, tudo bem...Mas qual a viagem mesmo?
A viagem do ônibus
Dos meus pensamentos
Da música
Ou das crianças chorando, que por acaso, já interromperam o silêncio...
Se é que havia algum silêncio antes disso, claro.

-Calor hoje, né?
-É...Até parece verão.
-Tanta coisa que parece, mas não é. Já nem me incomodo mais.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora:Dezembros - Fagner

quinta-feira, dezembro 06, 2012

EU [2]

Eu cresci 
Sou mulher
Sou menina
Sou o doce do vinho
E o chocolate meio amargo

Sou todos os meus 'eus'
Em um só eu.

Sou todos os rostos com o mesmo sorriso
Sou o sorriso com várias expressões
Sou os olhos envenenados
E os olhos cor-de-mel
Sou todos os olhos debaixo da mesma sobrancelha.

As mãos que passam pelos cabelos dançantes
Podem ter unhas coloridas
Mas sempre serão as mesmas mãos
Os mesmos dedos
Talvez, ao longo do tempo
Elas já não sejam como são hoje
Mas ainda assim serão as mesmas mãos
As mesmas unhas
As mesmas veias e tendões
Os cabelos podem mudar de cor
Mas as mãos terão sempre a mesma forma disforme.

E quem foi que inventou essa história de eu só poder ser 'eu'?

Eu sou eu
Eu sou os meus pais
Os meus amigos
E até os meus avós
Eu sou você
E todos os seus 'ás'
E quando enjoo
É só eu não ser mais.





(Tamires Alci)





quarta-feira, dezembro 05, 2012

QUANDO SE VÊ

É engraçado como o tempo passa rápido 
Quando se vê
A hora já correu
Você se atrasou 
E acabou perdendo o trem.

Quando se vê
Já passou o dia
Mais um dia de trabalho
E você tá sentado no sofá
Assistindo o Jornal Nacional
É assim mesmo, não te preocupa
Aquieta-te coração. Isso é normal.

Quando se vê
Já chegou sexta-feira
E se trabalha no sábado
Trabalha até mais animado
Domingo tem descanso
Que passa voando
Mais um desses dias que ninguém vê.

Acalma-te
Já passou o mês
Inês trouxe alface da feira
E vai fazer para o jantar
Que passa num lance de dados
Num lance de olhar.

Aquieta-te
Já passou o ano
Tá chegando aquelas datas festivas
Que todo mundo fica junto
Sabe como é, né?

E então
Quando se vê
Já não somos mais os mesmos que fomos há dez anos atrás
Já nem sabemos mais
Nem desconfiamos saber.

O que realmente se vê
São as expressões faciais ficando cada vez mais marcadas
Levemente disfarçadas com a maquiagem que se guarda na primeira gaveta da penteadeira
Os cabelos brancos vão sendo tingidos
E vamos deixando de ser quem fomos há mais de vinte anos atrás.

(Tamires Alci)


•Ouvindo Agora: Dezembros - Fagner e Zeca Baleiro

CONTOS URBANOS - O NATAL DE ALINE

"Fim de mês
Fim de calendário
Fim de ano
O relógio tá meio atrasado
Mas ainda tá funcionando."

Aline olhou mais uma vez para as paredes, suspirou, quase chorou...Estava toda arrumada quando Carlos ligou e terminou o noivado com mais de 4 anos. "É natal" - Pensou ela, ninguém pode fazer uma coisa dessas no natal. 

Ligou e desligou a Tv umas cinco vezes, passeou pelos canais sem prestar atenção alguma. Exceto na Globo, claro, ela nem precisava prestar atenção pra saber que estava sendo exibido o especial com Roberto Carlos. 

Carlos...Carlos...Carlos. 

"Pelo amor de Deus, eu não vou ficar parada aqui, assistindo isso"

Desligou a Tv. Ligou o rádio e o que tocava?

-Novamente, Roberto Carlos.

É engraçado que quando a gente evita pensar em uma coisa, ela sempre procura um jeito de nos perturbar. Isso pode ser só impressão minha ou pode ser que não.

Na Tv, no rádio, jornal...Até nas nuvens. Dependendo da criatividade de cada um.

Foi a cozinha, bebeu um copo de vinho e fez sua ceia sozinha. Pra descansar foi até a varanda, estava muito quente. Olhou para os pisca-piscas entrelaçados e brilhantes e ouviu um coro de crianças cantando essas músicas natalinas.

Ficou ali durante uns cinco minutos acompanhando mentalmente as canções.  Levantou-se e decidiu ir ao orfanato que ficava no fim da rua.

Chegando lá foi acolhida com abraços e beijos das crianças. Estavam todas arrumadinhas, lindas mesmo. Simples, claro. Porém lindas. Todas, sem exceção tinham um brilho no olhar que Aline não via há tempos, nem em si mesma. Alguns dos menores tinham aqueles sorrisinhos banguelas quando alguém falava do Papai Noel e seus presentes.

Ficou ali por algumas horas brincando e contando histórias. Quando estava indo embora uma das crianças chamou-a num canto. Entregando uma pequena caixa disse:

-Moça, eu não sei quem você é. Mas acho que devo te entregar isso. Olha, não abre agora. Abre quando você chegar em casa e toda vez que se sentir triste. Não repara se tiver meio feio, é porque eu fiz agora.

Deu um beijo e se despediu.

Aline foi andando curiosa até em casa. Trocando passos e pensando no que poderia haver dentro daquela caixinha.

Chegou, tirou os chinelos e pôs a caixa sobre a mesa. Tomou um banho e preparou-se para deitar. Por algum motivo ainda não tinha aberto o presente.

Carregou a caixinha até o quarto e pôs agora sobre a cama. Recostou-se e de repente lembrou do havia acontecido. Sentiu vontade de chorar mais uma vez, porém resolveu abrir aquele humilde presente.

Primeiro olhou por fora. Haviam uns corações tortinhos feitos com canetinha vermelha e algumas tentativas de desenhar estrelas. Sorria para si mesma e sorria para a caixa.

Finalmente ela a abriu. Não havia nada além de um papelzinho dobrado.

Franziu as sobrancelhas num ar duvidoso e retirou delicadamente o papel da caixinha e nele estava escrito "AMOR". 

Nesse momento, ela sorriu entre lágrimas e percebeu que uma criança sempre sabe do que precisamos. Nós já perdemos a inocência, eles não.

Aline viu que por mais desencontros e problemas que a gente passe, sempre vai haver alguém pra estender a mão. Basta querer.

(Tamires Alci)

  •