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sexta-feira, janeiro 04, 2013

UM ROSTO?

Era um rosto cheio de cores
Borradas, misturadas, destonadas
Era um rosto estranho
Quase que comum
Quase.

Haviam marcas de expressão
Recortadas
Haviam mais alguns traços
E no alto da cabeça
Suspendendo o rabo-de-cavalo
Um laço
Um laço violeta
Violáceo.

Os olhos eram profundos
E não paravam de me olhar
Me olhavam tanto
Que cheguei até bocejar.

Bocejei e respirei cores
Não fumei
Mas da minha boca saía aquela fumaça estranha
A cada novo suspiro, uma nova cor
Um novo sabor.

A boca era tão desbocada
Mais disforme que bala juquinha
Sem língua, sem dente, sem nada.

Era um rosto, definitivamente era
Uma face
Um disfarce facista
O que eu podia fazer?
Dizer?
Não, não, nada
Nada mais que deitar no sofá e me empanzinar de narcisismo
Um beijo e um gole de cinismo.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Eyes Without A Face - Billy Idol

4 comentários:

Franco disse...

Face fascista das bocas desbocadas... há!

Arnoldo Pimentel disse...

Um rosto que se mostra em muitos lugares.

B. disse...

Um texto cheio de surrealismo. Muito bom, nos faz viajar, dar asas à imaginação.

Déborah Arruda. disse...

Maravilhoso e profundo texto!

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