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quinta-feira, janeiro 31, 2013

SIMPLES

Ei, você
Você mesmo
Deite-se aqui comigo
Vamos olhar para o teto e imaginar nossas estrelas
Criar nossa via-láctea.

Apague o abajur
Deixe o tempo fluir através dos ponteiros
Não se apresse.

Tem alguns bombons do lado da cama
Eu sei que você não gosta muito de chocolate
A gente podia fazer café...O que você acha?
Adoro aquele cheiro que fica pela casa inteira
Me sinto em algum daqueles filmes de comédia romântica da sessão da tarde.

Um dia escreverei um livro...

Às vezes eu divago
Mas isso é comum
São pensamentos demais
Requerem um pouco mais de atividade cerebral...Se é que me entende
Eu preciso de um filtro
102
Café forte.

Uma toalha xadrez cobre a mesa
Gosto de coisas assim...Xadrez
Damas...Gamão não, é coisa de velho.

Na tv, em todos os canais
Você
No meu quarto
Você
No meu pensamento...Nós dois e nada mais.

Sentado na beira da cama
Olhando pra mim
Queria que ficássemos assim sempre.

Risadas entre beijos
Carinhos entre abraços
Nos teus braços me encontro, me desfaço.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Só Nós Dois - Detonautas

quarta-feira, janeiro 30, 2013

SAUDADE

Saudade

Uma breve (homenagem) ao dia da saudade...

Saudade do tempo
Do vento
Da chuva
Do mormaço
Do momento.

Do palhaço do circo
Da flor de plástico no canto da sala
Saudade da sala
E da mala que ficava guardada no armário.

Saudade
Das luzes da cidade escura
E das velas emancipadas
Tão pequenas dentro de seus castiçais
Por falar em pequena
Saudade da menina, que ficava esperando no cais.

Olhos que vagueiam
Vagueiam tão longe que até viram realidade
Viram um real vaguear pelo rosto da menina
Vagueiam dos olhos até o canto do sorriso desfeito
Vagueiam num mundo ilusório
Vagueiam por um "não final" perfeito.

-Chá ou café?
-Chá
-Acabou o chá, só tem saudade...
-Serve...Sem açúcar.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: La Solitudine - Renato Russo

sábado, janeiro 26, 2013

AS MULHERES MODERNAS, O AMOR E MAIS ALGUMAS COISAS


Engraçado como os valores mudam de tempos em tempos, não é mesmo? Tudo é renovado, tudo é trocado. Tudo é observado e estudado para ser melhorado. Tudo tem que ser mais moderno. Televisões modernas, computadores modernos, celulares modernos. E veja só, até pessoas modernas. "Mulher moderna". É engraçado pensar nisso. Toda vez que alguém fala "Mulher moderna" me vem o pensamento de algum tipo de andróide com cabelos loiros, silicone e com uma voz mecanizada. É, chega a ser engraçado sim.

Mas daí você pára e pensa: "Mulher moderna" porquê? 

Tem toda uma explicação. Segundo alguns (muitos) relatos, mulher moderna é aquela mulher independente. A mulher moderna tem seus próprios pensamentos, suas próprias palavras e sempre sabe o que dizer. A mulher moderna tem o seu trabalho, sua casa, seu carro. A mulher moderna é bem-sucedida, é feliz (?), é interessada, é interessante. A mulher moderna usa as roupas que quer e vai onde quer também. 

A mulher moderna começou a questionar os valores masculinos. A mulher moderna já não pensa em se casar, cuidar de uma família ou ter filhos. A mulher moderna só quer saber dela mesma. A mulher moderna é auto-suficiente e não precisa de ninguém. A mulher moderna "pisa" nos outros pra chegar onde quer. A mulher moderna faz sexo sem compromisso. A mulher moderna é uma filha da puta.

Alguém prestou atenção no que eu disse no começo do texto? Versões MODERNAS de alguma coisa são para serem MELHORADAS, ou pelo menos, é isso que eu espero. Será que essa inversão de valores foi mesmo uma melhora?

Não que eu não ache que uma mulher não deva ser independente. Deve sim. Uma mulher deve ter o seu trabalho, sua casa, seu carro, suas roupas. Uma mulher deve sim ter os pensamentos dela, sem a opinião de uma outra pessoa. Mas eu tô falando da outra parte.

Será mesmo que a mulher moderna deve criar seus filhos sozinha? Será mesmo que ela é auto-suficiente? Será mesmo que ela não precisa de ninguém pra nada? Será mesmo que ela é feliz assim?

Pode ser que sim, pode ser que não...Eu não vou arriscar uma resposta. Seria inútil da minha parte tentar convencer as tais mulheres modernas. Afinal, tanta modernidade ainda deve ter um pouco de cérebro pra rebater as minhas questões.

Mas o fato aqui, não é somente esse. É o amor. O amor foi tão banalizado quanto o pensamento da "mulher moderna".

Você conhece fulaninho no shopping e dois dias depois diz: "te amo".
Você conhece fulaninho na internet e depois de duas horas no skype diz: "te amo".

PORRA, VOCÊ NÃO AMA. ENTÃO PÁRA DE FALAR MERDA, CARALHO.

Quer falar alguma coisa? Diz que gostou de conhecer. Diz que gostou da companhia, mas não diz que ama.

Amor é o que a sua mãe sente por você. Não vou dar exemplos de namoros ou casais, poderia parecer superficial.

Amor é o que a sua mãe faz, todos os dias pra você. Ela te esperou por nove meses dentro da barriga dela, ela sentiu náuseas, dor de cabeça e ficava indo ao banheiro de 10 em 10 minutos por sua causa. Ela sentiu desejos loucos e muitas vezes chorava sem nem saber por quê. Ela ficou sem dormir por várias noites, por quê aquela barriga gigante (na qual você estava) atrapalhava qualquer posição em que ela gostasse de dormir. Ela sentiu dor nas pernas e sentiu você chutar. Ela sentiu dores horríveis quando você nasceu e mesmo assim, ela não reclamou nenhuma vez de ter você ali, dentro dela. Mesmo assim, ela agradecia todos os dias à Deus por você. 

Quando você nasceu, ela te amamentou (até os seios ferirem). Ela trocou suas fraldas, ela te ensinou a falar, ela te ensinou a andar. Ela dava comida na sua boca, quando você nem sabia segurar um garfo. Ela cuidou dos seus machucados, espantou os monstros debaixo da cama e te pôs pra dormir. 

Ela nem precisa dizer que te ama, para que você saiba disso. É intuitivo.

Então, por favor, parem de confundir amor com "ilusões de crianças semi-analfabetas" E crianças semi-analfabetas, parem de achar que vocês amam o "joãzinho da escola". Um dia, quando vocês crescerem, talvez vocês saibam que amor não é apenas sorrisos.

Amor é sacrifício. Amar é um sacro-ofício.

Ps. Que se fodam mulheres modernas. 

É isso.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Falando de Amor - Leoni

INCOMPLETO

"...E que agora não pode te ter
Não por falta de vontade
Ou por não querer
Talvez seja o caso
De estar de mãos atadas.

Mãos atadas
Olhos vendados
E um coração que não para de pulsar
Uma boca que grita seu nome
Seu sobrenome
E até mesmo, o número do teu telefone
Sem poder falar.

O céu está meio encoberto
As flores quase parecem chorar
Chorar do seu néctar mais puro
Que não é entregue à qualquer beija-flor
Que não é entregue a qualquer boca
Qualquer corpo
Qualquer amor.

A lua cheia
Já não é tão cheia
Já não é preenchida
Toca minha ferida
Que já ficou desmerecida
De tanto merecer
De tanto aparecer
De tanto se esconder.

A fumaça já não mais se vê
Não se vê, não por não vir
Mas por assumir um erro
Um porquê
Um porvir.

Os lençóis se dobram
Inutilmente, sem saber.
Porquê se dobram se novamente irei adormecer?

Adormecer à espera de alguém que está por vir
Por vir e por viver
Por trazer uma garrafa de vinho
Para me entorpecer.

O que começou pela metade
Pela metade há de continuar
Até que retorne a outra parte
Até a valsa se dançar..."

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Nosferatu - Leoni

O VENTO, O MAR E A MORENA

Da janela do quarto
Do quarto de um hotel qualquer
Aqui em Copacabana
Tem o mar.

Pobre ironia do destino
Fazer um mar
Que não sabe amar.

Um mar pra engolir desejos
Pra engolir sentimentos
Um mar pra engolir o próprio ato de amar.

O vento que vem de lá
Não é o mesmo vento que venta cá
Venta cá no interior
Nesse pedaço de chão batido
Nessa poeira contida
Contida sobre os móveis da sala de estar.

O vento que vem de lá
Não é o mesmo que venta cá
O vento que vem de lá
Traz o cheiro do mar.

O vento que venta cá
Tem cheiro de flor-de-laranjeira
Tem cheiro da morena que passa na rua de vestido
O vento que venta cá
É quase um vento perfumado
Perfumado de ilusões.

O vento que vem de lá
É poluído
Poluído por desilusões de poetas à beira-mar.

Mas ainda é vento
Ainda é mar
Ainda é morena
Ainda é amar.

(Tamires Alci)

•Ouvindo agora: Criado Mudo - Leoni

quarta-feira, janeiro 23, 2013

24

24
24 está tão perto
24 é um deserto de distância entre nós
24 é uma lembrança doce
De que nunca estaremos sós
Mesmo que à sós
Mesmo que só(zinhos)
E carentes de carinho
De qualquer coisa.

24 é um dia que não se vê
É um dia (com) sem você
É um dia que eu gostaria de dizer
"Eu sei que vou te amar..."

24 é um par de livros na estante
Um papagaio no fundo azul
Um amor gigantesco
Ou apenas um dia comum.

24 sou eu e você
Dezembro (12)
12 de março
12 dias sem sentir o teu abraço
24 horas
24 minutos
24 segundos
Dia 24 e eu sem você.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Eu Sei Que Vou Te Amar - Ivete Sangalo

terça-feira, janeiro 22, 2013

EMOCIONAL

Hoje eu almocei sozinha de novo
Haviam dois pratos
Dois copos
Quatro talheres sobre a mesa
Não arrumados de maneira que pudesse parecer que alguém almoçaria comigo
Apenas aleatoriamente dispostos
Mas me sucedeu tal pensamento.

Eu comi
Mesmo sem vontade de comer
E sorri
Mesmo com vontade de morrer.

Refrigerante, por favor
Desinfetante pro estômago
Infectante pra cérebro e coração
Com gelo?
Não sei se "sim" ou se "não"
Parei, pensei
Sem gelo, por favor
Garganta ruim.

Garganta ruim
Chega a ser patético
De tão pequeno que isso possa ser.

Os óculos que estavam sobre a mesa
Embaçaram
Está frio agora
Agora chove
O tempo tem variado tão rápido quanto o meu humor.

O médico hoje me disse:
"seu problema é emocional"

Eu caí da escada
Foi também um tombo emocional?
Por que, caso tenha sido
Penso eu que caí de um prédio de vinte andares
Não machuquei muito não
Apenas ralei o joelho
E o coração.

Mas é emocional mesmo
Não tem importância.

(Tamires Alci)

•Ouvindo agora: Dezembros - Fagner


sexta-feira, janeiro 18, 2013

CAFÉ SEM BISCOITOS

Hoje, na hora do almoço
Choveu
O meu quarto?
Estava um breu.

Eu deitei na cama e apaguei
Apaguei o abajur
E desliguei meus pensamentos
Desliguei o cérebro da tomada por um tempo
Eutanásia?
Não....Descanso.

As cortinas tremulavam
Tremulava o meu coração dentro do peito
Que no próprio peito, já não cabia mais
Já não sabia mais o "porquê" de estar batendo.

O espelho
Tão complexo
Parece um borrão de tinta
Sem nenhum reflexo.

O chão do quarto
O tapete
A toalha molhada
Agora parece quase um enfeite
Um enfeite desfeito da minha pobre visão.

Tão longe vou
Viajando no cheiro do café
Café sem biscoitos
Sem companhia
Reclamo, reclamo
Mal parece que acabei de passar dos 18.

18km/h
18 metros
18 milhas
18 anos
18 dias e meses...

O vestido de bolinha ficou pendurado
No varal
Quem sabe pode ser usado
Em um outro carnaval
Quando eu encontrar a máscara
Quando eu re-encontrar a mim
No meu oceano, na minha estrada
No meu começo ou no meu fim.

•Ouvindo Agora: Telegrama - Zeca Baleiro

terça-feira, janeiro 15, 2013

ONTEM?

E ontem?
Ontem eu olhei para as paredes
Eu achei elas tão estranhas
Pareciam querer me engolir
Me iludir
Eu desenhei seu sorriso em cada uma delas
Alguns ficaram tortos e diferentes do original
Mas eu sorri.

Ontem?
Ontem eu li um livro
Fiz uns rabiscos
E descobri que as letras que circulei
Formavam seu nome
Seu nome que tá na agenda, largada perto do telefone.

Ontem?
Ontem eu fiz um café
Café de coador
Fiquei observando a fumaça
Tomei um gole e lembrei de ti, amor.

Ontem?
Ontem eu escutei aquela música
Aquela que tocava no rádio há uns 45 anos atrás
Que você me mostrou e agora gosto demais.

Ontem?
Ontem eu senti vontade de gritar, chorar, espernear
Mas eu senti só vontade
Porque quando uma lágrima iria rolar meus olhos
O teu amor me abraçou.

Pra quem ama, a distância não importa
Enquanto estivermos debaixo do mesmo céu
Nunca estaremos tão longe assim.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora:Velha Infância - Tribalistas

domingo, janeiro 13, 2013

AHHHH ESSE MEU CORAÇÃO...

Ahhh esse meu coração, vê? 
Mal te viu partir
Num se aguenta de vontade pra te ver voltar
Bater do ladinho do teu.


Ahhh esse meu coração, vê?
Parece até família do sertão
Quanto mais pobre, mais sofre
Parece "inté" que gosta.


Ahhh esse meu coração, vê?
Com seus vinte e poucos anos
Num aguenta mais essa "cambada" de emoção forte não
Tá querendo um xodó, um aconchego
Tá querendo seu "denguinho"
Bate agora de involuntário que é
Se pudesse escolher, ia teimar pra não bater sozinho.


Então vê se volta logo, viu seu moço?
Que esse coração num "guenta" mais ficar sem você
Sem esse teu beijo, teu abraço que é tudo
Tudo que eu preciso pra viver.

(Tamires Alci)

Ps. Dedicado especialmente pro meu preto, Marcos Vinícius que foi ontem (12/01/13) pro Ceará à mando da Marinha do Brasil. Lembre-se sempre bebê, que embora eu não possa estar aí contigo, você vai estar sempre nos meus pensamentos e no meu coração. Espero que esse ano passe voando, pra você estar logo nos meus braços de novo. Te amo. Te amo muito mesmo. Um beijo enorme da tua morena.

•Ouvindo agora: No Me Platiques Más - Luís Miguel

sexta-feira, janeiro 04, 2013

UM ROSTO?

Era um rosto cheio de cores
Borradas, misturadas, destonadas
Era um rosto estranho
Quase que comum
Quase.

Haviam marcas de expressão
Recortadas
Haviam mais alguns traços
E no alto da cabeça
Suspendendo o rabo-de-cavalo
Um laço
Um laço violeta
Violáceo.

Os olhos eram profundos
E não paravam de me olhar
Me olhavam tanto
Que cheguei até bocejar.

Bocejei e respirei cores
Não fumei
Mas da minha boca saía aquela fumaça estranha
A cada novo suspiro, uma nova cor
Um novo sabor.

A boca era tão desbocada
Mais disforme que bala juquinha
Sem língua, sem dente, sem nada.

Era um rosto, definitivamente era
Uma face
Um disfarce facista
O que eu podia fazer?
Dizer?
Não, não, nada
Nada mais que deitar no sofá e me empanzinar de narcisismo
Um beijo e um gole de cinismo.

(Tamires Alci)

•Ouvindo Agora: Eyes Without A Face - Billy Idol

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