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terça-feira, julho 30, 2013

ME PERDI

Caminhávamos
Eu e ele
Lado a lado
Numa estrada de terra
Que levantava a poeira
Quando os sapatos encontravam o chão.

O sol já baixava
Era de tarde
Umas cinco e pouca
E o ar cheirava a café
Saindo da maioria das casas que encontrávamos pelo caminho.

Caminhávamos
E eu pensava um bilhão de coisas
Um turbilhão de coisas
Enquanto ele fazia uma breve comparação
Com meus olhos e o céu
Não, meus olhos não são azuis
Mas ele falava de profundidade
De imensidão
De algo muito mais distinto que o azul mais bonito
De qualquer mar do caribe.

Mas ele falava mesmo
Era do céu
E do véu que cobriria meu rosto
Quando nos casássemos.

Um véu branco
Como as nuvens
Que dançavam no fim da tarde
Enquanto o céu mesmo ia avermelhando
 Parecia avermelhar-se de vergonha
Assim como minhas bochechas.

Eu me perdi nas palavras
Eu me perdi em mais tantos pensamentos
Eu me perdi dentro dos olhos dele
Enquanto ele falava dos meus
E pode parecer irônico
Mas perder-se, é como dizem
A melhor forma de se encontrar
Eu diria, de se encantar
De se cantar
Uma melodia de amor qualquer
Só pra rimar com o pôr-do-sol
E o cheiro de café.

Eu me perdi nas palavras
Eu me perdi em mais tantos pensamentos
Que quase perdi o ônibus de volta pra casa
Quase perdi a hora pro casamento
Da novela das seis.

(Tamires Alci)

quinta-feira, julho 11, 2013

RETRÔ

Um visual retrô

Cabelos de laquê
E sobre a mesa, um sachê
Com açúcar
Pra adoçar o café
Pra não perder a fé
E falar demais.

Um visual retrô
E o vestido de bolinhas
Preto e branco
Pinta no canto da boca
Era sua própria rainha
Dona de sí
E do ego que preenchia o ambiente
Preenchia mais que o tal do Billy Idol que cismava em tocar no rádio
Aquela, bem assim
"...Les eyeux sans visage
Eyes without a face..."

Um visual retrô
E os olhos que me comiam
Me devoravam
Me destinavam
A me perder
E nunca mais me encontrar.

Um visual retrô
E as unhas negras
Grandes, redondas
Que seguravam o cigarro
E aquilo tudo, pra ser sincero
Tava ficando um pouco bizarro.

Um visual retrô
E a boca vermelha
Que destilava o veneno
Que disparava centelhas.

Um visual retrô
Retro-visor
Retro-ativo
Retró-gado, como seu próprio pensamento
Perdida na sua própria demência
Enquanto dirigia aquele Oldsmobile...


(Tamires Alci) 

-Ouvindo Agora: Eyes Without A Face - Billy Idol

quarta-feira, julho 03, 2013

CHEGA/VOLTA PRA CASA

É assim mesmo
Chega a noite com cheirinho de café
Chega o frio com cheiro de edredom
E travesseiro com cheiro de perfume.

Chega a chuva e o cheiro de terra molhada
De dia quase acabando
De mais uma semana perto de se findar.

Chega é essa saudade com cheiro de mãe
Com gosto de bolo
Com o sentir de um abraço
De um laço
Que não se desfaz com a distância
Com ânsia de que logo chegue dezembro.

Vem chegando é a lágrima
Que vez ou outra escorre dos olhos
Mas vem do fundo do peito
De dentro do coração.

Chegou foi mais um mês
Já passou metade do ano
Julho, 3
Saudade de vocês.

E chegam tantas coisas
A cada dia, a cada hora, a cada minuto
Sentimentos, sensações, cheiros, pessoas, lembranças.

É fato que já é noite
E de toda noite
Nasce um novo dia
E a cada novo dia
Me nasce a esperança
De ser menos um dia
Da minha volta pra casa.

(Tamires Alci)

-Ouvindo Agora:Dezembros - Fagner
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