segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

DESILUSÃO LITERÁRIA

Desilusão literária

É estou até agora, uma hora depois, tentando lidar com a morte
A verdade é que a morte é sempre difícil e nós nunca estamos preparados
Ela vem de surpresa em hora inteira ou hora avessa
O mal é que ela sempre vem
E veio
Roubou-me a minha pequena Macabéa
Roubou-me a minha nordestina com quem aprendi a conviver

Macabéa, apesar de tudo, era minha e não tinham direito de roubar-lhe a amargurada vida.

Magricela, esquálida, não tinha nem cor na pele
Muito menos o brilho nos olhos, foi assim que me disse Clarice e ao contar-me tanto dela, tornou-a parte de mim.

Se eu acredito em sua existência, ela existe e existe porque acreditar é a força mais potente do mundo.

Ontem passei pela rua Acre, onde resignava  sua mera existência. Vi seus cortiços e imaginei-a ouvindo a rádio relógio.
Ontem também passei pelo cais do porto, onde aos domingos, tinha o pequeno prazer de admirar os navios. 

Que audácia dessa moça matar-lhe e matar-lhe da forma mais estúpida que conseguiu
Revirou minhas entranhas
Pois parecia, na verdade, que a pequena Macabéa, havia nascido de mim
Não chorei
E não chorei, porque talvez sua vida vã não merecesse "una furtiva lacrima"
Mas senti e o sentimento uniu-me à ti, mesmo que por um instante.

Tua burrice era tão grande que me despertava sorrisos, apesar de eu saber que isso seja mal educado. Mas ela, besta que era, não se importaria mesmo.

Pobre Macabéa, morreu donzela
Donzela de sexo
Mas principalmente, donzela de viver
Já que só experimentou o gosto da vida pouco antes de morrer.

É complicada mesmo a morte
Dizem que tem gosto de morangos.

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