domingo, 15 de dezembro de 2019

REENCONTRO

"E quando te encontrei ali, naquela estação de trem, naquele domingo, naquele momento
único em que o tempo parecia ter sido suspenso por alguma inefável força, meu coração parecia gritar: -Que saudade! Naquele momento eu soube que você não era um estranho com quem eu teria um encontro, mas sim, que você era (é) uma daquelas pessoas incríveis que a minha alma (re)conheceu e na verdade, quando você me abraçou, tive toda a certeza"

Ela decidiu escrever e escreve por inspiração, ela salta pelos seus poros e transparece nos seus olhos e nesse exato momento ela não é mais mulher, ela é um punhado de palavras soltas que aos poucos vão se concatenando e escoando através de seus dedos para um teclado onde o barulho seco das teclas corta o silêncio de uma casa já adormecida.

Ela não é mais mulher, nesse momento ela transcendeu, ela atinge a tão sonhada ataraxia ao ver os versos fluindo e as frases se formando diante de seus olhos, como se seus dedos estivessem apenas sendo usados pelo ser superior que sopra aos seus ouvidos cada palavra a ser digitada.

"Eu não te encontrei. Eu te reencontrei."

Foi isso que ela disse, foi isso que ela pensou. Ele sorriu, concordou. Era o sorriso mais lindo que ela já havia visto do auge dos seus 27 anos. Ficou pensando em palavras pra explicar aquele sentimento, mas como explicar algo que não se explica? Existe uma palavra. Inefável, ela disse. (Qualidade daquilo que não se pode exprimir por palavras) e era exatamente isso. 

Continuaram andando, se despediram e quando ela entrou no ônibus teve aquela sensação maravilhosa de quando você se sente inabalável, segura, geralmente influenciada por uma pessoa ou lugar. Outra palavra, geborgenheit, dessa vez em alemão.

Gostava de sentar-se naqueles bancos sozinhos dos ônibus e sentou-se ali, olhou pela janela, viu seu reflexo, sorriu e descobriu no seu sorriso a oportunidade que a vida estava lhe dando novamente de ser completamente feliz. Quando ela viu seu reflexo, não viu a sí, na verdade, viu a vida a lhe sorrir e devolveu.

Sorte de quem a abraçou, sorte de quem a trouxe pra perto. Sorte de quem se apaixonou pelas peculiaridades e pelo amor que ela tem pelas palavras. Pelo tanto que as mesmas dizem sobre ela e sobre o mundo que orbita ao seu redor, quase em suspensão.

Sorte mais ainda dela que além de um leitor, encontrou o amor.

De tantos e tantos livros que já li, essa é a história que mais me arranca sorrisos. Se um dia souberem nossa verdade, dirão que somos loucos, mas quem são os loucos se não aqueles capazes de arriscar?!

Tamires Alci




Um comentário:

  1. Assim devemos ser, como protagonistas de nossa vida e nossa própria existência.
    Te desejo mais (re)encontros como esse.

    Forte abraço!

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