sexta-feira, 27 de março de 2020

Diário da Pandemia - Dia 1

Hoje é segunda, 23 de março de 2020. Estou tentando ir pro trabalho. Como disse anteriormente, o patrão quer que a gente "dê o nosso jeito". Consegui pegar o primeiro ônibus da trajetória com certa dificuldade, no caminho meu pai me informa que na Tv está passando a estação de trem onde eu pegaria o transporte com uma fila quilométrica dos dois lados, impossível embarcar. A polícia está barrando e permitindo apenas serviços essenciais. Consegui uma carona pra ir ao trabalho, sigo tentando.

O dia foi tenso, pra todos eu acho. Reuniões e mais reuniões. Silêncio. Apreensão. Medo. O governo fala em suspender contratos e consequentemente salários. O governo volta atrás, como sempre. O número de casos aumenta, o número de mortos também. Numa reportagem, uma italiana chora e diz o quanto é triste não poder enterrar os seus, não poder se despedir. Meu coração às vezes fica em pedaços. 

80% dos infectados não apresentam sintomas. Isso me preocupa. 

Tentamos fazer piada no trabalho, tentamos levar na sacanagem como todo bom brasileiro, mas apesar das risadas, o aperto no peito é constante e compartilhado. Da mesma forma que rimos, silenciamos ao ver uma nova notícia.

Com a restrição nos transportes, muitos não conseguiram chegar. Serão descontados? Todos nos perguntamos. Conseguimos chegar hoje, mas e amanhã? 

Nunca o "amanhã" foi tão incerto.

Estamos chateados. Temos família. Alguns só falam com os filhos por telefone, por medo de transmissão.

As horas parecem arrastadas. Na rua, ninguém.

Não sabemos o que esperar, porém seguimos.

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